quarta-feira, 1 de junho de 2016

Vazios

Não estou pedindo seu afastamento. Vamos apenas manter espaços. O espaço da minha vida e continua em minhas mãos. O coração deixo para você. Mas não esqueça que quem manda em tudo é apenas meus cérebro totalmente racional, que ignora todas as suas tentativas frustradas de aproximação. Mantenha-se distante. Aconselharia uns 300 metros, mas ainda não produzem ordem judicial para casos como o nosso. Coisa de pele, você diria. 
Deixo o sabor do meu sorvete favorito para você, assim como deixo nossa canção também. Uma hora o sorvete ou a música podem funcionar com outra pessoa, comigo só piora a situação. Fingiremos sutilezas quando, na verdade, queimamos em chamas por dentro. Mas manteremos a classe. Somos apenas dois seres humanos, cheios de sentimentos, ressentimentos, medos, ânsias e sonhos que se encontraram, apaixonaram-se e agora tornaram o sentimento imortalizado em forma de estrela. 
Agradeço seu telefonema, agradeço a tarde maravilhosa que passamos juntos, agradeço sua dedicação em tentar me deixar confortável como toda a situação complicada. Agradeço também o fato de ter me deixado comer metade das suas batatas apenas para me ver sorrir. Tem tanta coisa doce e satisfatória em você que me recuso a tentar entender porque não demos certo. Obrigado pelo álcool compartilhado e os cigarros que fumamos durante tantas horas de conversa, meu fígado e pulmão realmente não me são mais importantes perante esta nova fase.
Mas se ainda não tiver jeito e a vontade de ficar permanecer e se tornar mais forte do que a vontade de descobrir novos continentes, me deixa permanecer no espaço do teu peitoral, que tanto me abriga bem. Só não deixa o espaço entre minha loucura e desfuncionalidade, vazio. Porque, ainda que não pareça, sou tão cheia de vazios incertos que a minha debilidade deveria ser atestada. E minha certeza, contestada.