domingo, 8 de maio de 2016

Através do espelho

Você joga o cabelo e fala de amor com uma personagem de filme alternativo. Segura o cigarro, e o traga de olhos fechados. Sorri de canto, checa o celular e suspira incomodada. Te chamam de coração de gelo, duvidam quando se diz apaixonada e riem das experiências sofridas que já teve. Eu vejo a dor atravessar seu corpo, como um feixe de luz branca. Toda vez que vou de encontro ao espelho, ali está você. Dolorida, com a ansiedade lhe roendo os ossos. Ignoro os sinais e te afundo nesse amontoado de mágoas passadas. Você é uma criança com medo do escuro e eu sou a adulta que acha que tudo isso é pura besteira. Amanhã quando se levantar, talvez sinta o mesmo. Só que o hoje é o amanhã de ontem e ainda sim você reluta. Tem muita dor no teu peito, tem uma carência sufocante e um amor tão bonito que nunca será entregue. Isso é o que concordamos. Eu era sua esperança e rasguei todas as bandeiras verdes. Aqui não há futuro pra essa romântica que se envolve com quem lhe dá o mínimo de atenção. Já te contei que abraços no meio da madrugada ou mãos dadas em ruas movimentadas não significam amor. Então limpa esse olho borrado, repassa o batom vermelho e vê se usa um cimento de boa procedência nesse teu coração de pedra.