domingo, 21 de fevereiro de 2016

Vai com deus

Está vendo aquela mala do lado da porta? É sua. Todos os sentimentos e sensações que você me provocou estão ali dentro. É a sua hora de ir embora. Eu fico, você vai. Eu já era minha antes de você aparecer, então por que eu deveria me deixar de lado por sua causa? Talvez realmente tenhamos grandes diferenças de pensamento, ou criações diferentes, ou militâncias diferentes, ou qualquer explicação que seja plausível pra você. Mas eu sou isso aqui e é isso aqui que eu tenho pra te oferecer. Se te ofende ou diminui, você deveria tratar isso consigo mesmo antes de encarar um relacionamento com quem fala o que pensa.
Talvez eu seja mesmo sincera demais, talvez eu até queira me impor de forma mais agressiva. Fui silenciada várias vezes de várias formas tantas vezes antes da sua aparição. Talvez você tivesse gostado da menina de 16 anos que faria tudo pra te agradar. A mulher de 23 que hoje sou, faz o que quer. E te agradar não é a minha prioridade no momento. Fazer elogios, dar carinhos e bater um papo descontraído é porque gosto de você. Mas se o que eu sou não te faz gostar bem desse jeitinho de mim, não vou me mudar pra ter você por um tempo a mais. Em alguma hora minha essência forte e destemida ia explodir no meio da sua cara, e teria a força de um furacão. Vamos fazer um bem pela humanidade e evitar uma catástrofe.
Eu quis muito saber onde poderíamos parar. Eu imaginei histórias, sonhei mais alto que poderia voar. Eu me entreguei de verdade a esse sentimento que apenas havia plantado uma semente. Poderia crescer forte no meu peito, mas eu preferi arrancar pela raiz. Não que você não seja bom, você é ótimo. Mas não pra mim. Não agora, não hoje, não nesse meu momento. Não até você perceber que não há como mudar o que sou. Não enquanto você insiste que sabe tanto de mim. Não, você não sabe. Não, você não me conhece o suficiente. Não, eu não quero suas conclusões precipitadas de pessoa racional demais. Você conheceu o que eu te permiti conhecer, mas não derrubou nenhum dos meus muros. Eu sou uma pedreira e você não possuía munição o suficiente pra me demolir. Na verdade, quando tentou me atacar com as palavras, derrubei alguns pedregulhos pra te mostrar minha força real. E você se afastou, como sempre aconteceu.
Eu já me acostumei com esses finais, e agora é a hora que eu tento recomeçar outra vez. Eu errei algumas vezes quando pensei que segurando alguém, faria esse alguém ficar. Eles só ficam quando querem, e eu não tenho paciência pra esses dramas românticos de relacionamentos do século XXI. Eu quero, você quer? Então é isso que vamos ter. Eu não vou esperar uma decisão que nunca vem, eu não vou esperar seu telefonema que nunca acontece, seu "bom dia" que nunca chega. Não há espera quando não há motivos. Eu até emiti algum tipo de som, mas seu silêncio rasgou todas as folhas com palavras doces que escrevi sobre nós dois.
Foi bom enquanto durou. Talvez ainda haja esperanças da sua volta, da sua permanência, de você me querer por tudo o que eu sou e não pelo que a sua imaginação criou. Se aí sim, quando você aceitar que sou fortaleza e não aquele ser raso que pensava, poderemos recomeçar. Mas por enquanto você pode ir levando sua mala e me deixando ser o que eu sempre fui: EU.


quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

Sem luz, com amor.

Sua silhueta me parece muito mais atraente quando estamos a luz de velas. É assim que vejo seus contornos e me pego admirando suas sombras. É assim que percebo que a sua beleza não possui lado ruim. Você chega perto, fala manso, diz que não vê a hora da chuva passar. Concordo com a cabeça, mas admito em pensamento que foi a hora perfeita pra cidade ficar neste breu. Você estava ocupado demais com seu trabalho, eu silenciada pela televisão. Então começou a chover e ouvi sua voz surpreso, como já não escutava há tanto tempo. Você me viu correr uma maratona para fechar as janelas antes da água invadir o apartamento. E riu. O som da sua risada costumava ser a minha canção de ninar. Tentou imitar meu pulo do sofá e fechou este livro que agora não tenho mais ciúmes. Nas duas últimas semanas, você se deitou mais com o maldito livro do que comigo! E agora eu era a sua rainha outra vez. Corri para o seu encontro e entre tapas de almofada, nos beijamos. Eu sei que nos alertaram que o convívio pode diminuir o amor, mas ninguém me avisou que eu iria me apaixonar outra vez a cada beijo mais animado. Eu olho pra você agora e tenho cada vez mais certeza que somos dois inteiros que se juntaram para formar o casal perfeito. Você me romantiza quando traz aquelas flores uma vez por mês, e eu te transformo em poesia sempre que  há um papel em branco no meio das suas coisas. Vez ou outra não percebo algumas letras miúdas e você passa vergonha ao entregar uma poesia sobre o seu sorriso para algum cliente. Me liga sempre feliz, nunca irritado. Diz que achou lindo e desfez o mal entendido. E são nesses dias que você chega em casa explodindo de felicidade e desejo. Me puxa pros seus braços, mesmo quando estava toda suada, e selamos nosso pacto de amor por toda a casa.
Alguns dias serão mais difíceis para conseguir toda a sua plena atenção, sei que a vida anda ocupada e os dois estão cheios de trabalho pra entregar. Mas não vou reclamar se fez ou outra São Pedro se juntar a companhia de energia e nos desligar de toda essa tecnologia. Vou poder te falar como você fica bonito a luz de velas enquanto me beija os seios. Você vai elogiar cada curva do meu corpo, principalmente o sorriso que surge quando me fala essas coisas. Vamos viver esse amor na sua mais pura essência, como duas crianças descobrindo jardins secretos. E depois voltaremos, junto com a luz, as nossas tarefas de adulto. Eu sei que te amo porque vivo na espera de ser tua toda vez. Eu sei que você me ama porque sempre me faz sua antes de qualquer outra coisa. E nos basta esse amor, com barulho de chuva e pouca luz.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016


Poderia ser cena de filme. A música, bebida, risada entre beijos. Um bar só nosso, como no começo de uma comédia romântica, onde estou pronta para cair nas aventuras que a vida irá nos enfiar. Não sou a típica mocinha, mas você se parece bem com quem eu escolheria para terminar essa estória. Implico, falo alto, danço sem parar, bebo demais, evito diálogos profundos, me escondo por trás de uma camada de metal. Difícil invadir meu mundo, conhecer minhas fraquezas. Só deixo exposta a minha doçura. Vou distribuindo mel de flor em flor. Uma abelha reversa. Um conto inacabado, um sorriso que travou no meio do caminho. Então começo a imaginar quando você vai embora. Amanhã, daqui duas semanas ou vai esperar alguém mais interessante surgir? Quando penso em você, não é sobre o nosso futuro. Penso sobre nosso término. Eu já me acostumei com eles, rapaz. Não se sinta tão especial.
Não acredito que nada seja eterno. Minha desconfiança e medo de falhar perduram eternidades - isto se você também acredita em vidas passadas. É um sentimento que não termina. Não me encaixo, não sirvo, não funciono. Defeito de fábrica. Será que dentro do teu peito existe a peça que falta para um melhor desempenho e reparo total? Claro que não. A cura é interna. O externo só confunde e complica. Cria problemas onde as contas eram apenas de adição. O valor do x não importa se a resposta for sobre quando você volta. Que seja hoje, amanhã, quarta de cinzas ou até Natal. Um dia eles sempre voltam.
A música vai se repetir, porém com cantores e letras distintas. Uma trilha sonora repetitiva que conta sempre sobre a dor de querer alguém que nunca fica. Passeando sobre todos os gêneros, utilizando elementos urbanos como plano de fundo para os vídeos que crio enquanto visualizo a cidade pela janela do ônibus. Carros, praias, chuva, folhas, outros casais. Isso é eterno, essa inspiração baseada em fatos do cotidiano, pois me falta inspiração romântica real. Apenas idealizações e histórias que nunca começam e o fim sempre chega.
Confusa, silenciosa. Um vulcão adormecido, pronto para voltar a ação. Mas os tempos não são bons. Pensei que o El Niño me faria aquecer, só congelou. A lava quente resfriou e me cobriu de pedra, poeira e saudade. Vou usando meu canto congelado pelos mares dessa terra. Uma sereia sem porto, naufrando todos que se aproximam. Uma mistura dos elementos: Terra, água, ar e fogo. O que eu esperava dessa junção era vir a amar (virar teu mar).

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

Ghosting

Chega. Sorri. Ilumina. Sorri outra vez. Olho. Sorrio. Mexo no cabelo. Se aproxima. Oi. Tudo bem? Tudo. Vem sempre aqui? De vez em quando. Nome. Idade. Profissão. Faculdade. Tá acompanhada? Sozinha. Como sempre. Música ao fundo. Danço. Sorrio outra vez. Se aproxima. Mão na minha cintura. Faço charme. Me aproximo. Mão na nuca. Beijo. Os corpos se aproximam. Sorrimos. Outro beijo. Anota meu telefone. Fala o número. Guardei aqui. Fala um oi. Salvei o seu também. Beijo. Beijo. Beijo. Já volto. Continuo dançando. Falo com as amigas. Ele volta mesmo. Se aproxima. Beijo no rosto. Se apresenta. Minhas amigas saem. Me beija com vontade. Beijo. Eu. Beijo. Quero. Beijo. Te. Beijo. Conhecer. Beijo. Melhor. Sorriso. Vamos pra outro lugar? Hoje não. Pode ser um lugar mais calmo. Acho que não rola. Barzinho com música não tão alta? Sim. Mas as amigas vão juntas. Tudo bem. Só quer me ver sem essas luzes. Saímos. Bar da moda. Me elogia. Sou linda. Sou simpática. Carícias. Preciso ir embora. E vou. Durmo. Ele nunca vai me procurar. Acordo. Mensagem dele. Interessado. Quer me encontrar. Conversamos por horas. Vamos sair? Vamos. Vou me arrumar. Te aguardo. Dia maravilhoso. Conto no twitter. Ele troca algumas palavras. Emoji. Emoji. Emoji. Rs. Kkk. Puxo assunto? Melhor deixar pra lá. Uma semana. Nada. Supero. Oi sumida. Você quem sumiu. É a mesma distância. Saudades. Legal. Como você está? Bem. Eu também. Vamos marcar. Vamos sim. Hoje? Não posso. No sábado? Sim. Passam 4 dias. Encontro ótimo. Me faz rir. Conversamos. Vou embora feliz. Sem tempo. Eu entendo. Cheguei. ... . ... . Legal. ... . ... . Hey. Oi. Tudo bem? Tudo. Eu também. Silêncio. Um dia. Dois dias. Três dias. Hey. Visualizado. Não respondido. Quatro dias. Cinco dias. Seis dias. Sete dias. Oito dias. Nove dias. Decido sair. Bebo. Instagram. Ele curte. Oi linda. Saudades. Sem tempo. Esqueci de responder. Muita coisa acontecendo. Como você está? Senti sua falta. Seria legal te ver de novo. Vamos fazer algo mais divertido. Sem cinema. Sem barzinho. Sem amigos. Só nós dois. Não. Não tenho tempo. Não vai rolar. Eu não quero. Tudo bem. Cinema então? Ok. Beija. Senti mesmo sua falta. Vamos pra outro lugar. Fomos. Beijo. Sexo. Beijo. Me deixa em casa. Beijo. Vai embora. Me avisa quando chegar. Visualizado. Não respondido. Online. Apago a conversa. Excluo o número. Era isso que queria. Desde o começo. Um dia. Dois dias. Três dias. Quatro... Quem continua contando? Oi. Oi. Você sumiu. Eu? Sim. Cerveja? Não. Por quê? Você vai sumir. Eu te disse que ando ocupado. Tcc. Faculdade. Trabalho. Autoescola. Vida. Vamos. Cerveja. Estendemos. Noite toda. Dormimos juntos. Vou embora. Oi. Oi. Já chegou?. Que bom. Me procurou. Pode ser. Talvez. Sem expectativas. Me conta seu dia. Cansativo. Monótono. Chato. Fala do cachorro. Do videogame. Da amiga. Do namorado de uma amiga. Da ex do melhor amigo. De café. De academia. Faço uma pergunta. Visualizado. Não. Ou sim. Não lembro. Emoji. Emoji. Emoji. Kkk. Rs. Uma semana. Duas semanas. Três semanas. Dia de festa. Conheço alguém. Acho que vai der a mesma história. Não. Hoje não. Conheço outro. Não. Não quero. Outro. Não. Não posso mais. Chega. Dois meses. Superei. Conheci outro alguém. Esse é diferente. Sim? Sim! Visualizado. Respondido na mesma hora. Coração. Quero te ver hoje. Vamos. Quero te ver amanhã. Vamos. Depois também. Por mim, tudo bem.
Hey sumida. Número bloqueado.