quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

Paraíso Particular

A chuva não molha nossos corpos. Estamos protegidos pelas paredes desse quarto. Nem escutamos o barulho das gotas na janela, Nossos sussurros e gemidos abafaram os sons externos. somos só nós dois contra todo o mundo. Eles se perdem em problemas simples. Nós nos encontramos um na pele do outro. Quando nossos corpos se tocam, toda magia e coisas inexplicáveis ganham sentido. Aqui é onde sempre deveríamos estar. onde a bagunça e confusão desse mundo sujo nunca irá nos alcançar.
Não sou seu porto seguro, nem ele é o meu. Ele é tudo que me faz tremer e ficar nervosa. Não consigo me conter. Tenho ciúmes, quero segurar sua mão no meio do bar e mostrar que estamos juntos. Mas o deixo livre. Ainda que a sua liberdade signifique a minha queda. Só que me manterei de pé, ele não precisa saber o que faz internamente comigo. Deixo apenas meu gosto na sua boca e me levanto da cama.
Ele me abraça por trás e sinto sua boca percorrer meu pescoço exatamente como a gota que observo escorre pelo vidro. Delicado e sutil, poderia significar nada. Mas significa tudo pra mim. Eu caio nos seus braços e volto pro meu paraíso particular, onde ele é a divindade pela qual fico de joelhos e faço pedidos ofegantes. A chuva continua lá fora, mas aqui só sinto um calor crescente.
Vem, meu bem.

domingo, 24 de janeiro de 2016

Insisto

"Você já gostou muito de alguém?", ele me pergunta enquanto encara as gotas que escorrem pelo vidro da janela. Minha vontade é dizer que sim, e estou gostando nesse momento. Mas ele não ia entender, ou ia fingir que não era sobre nós. Então ele começa a dedilhar o violão e me encara. Sabe que eu gosto dessa música. Canto baixinho e desafinada, e ele sorri. Eu só falo sobre ele nos meus últimos textos e ele nem imagina isso. Finge que não sabe ou até só duvida, mas eu sei que sinto e tem ficado cada dia mais intenso. Poderia fugir, falar com outra pessoa, mas algo me prende. Eu não quero mais ninguém. Não há outro sorriso e olhar que me faça querer ficar. Chega aqui, me puxa de uma vez pros teus braços, moço. Fala que não importa com mais ninguém e que fomos feitos pra durar. Ou não fala nada, mas para de ser essa incógnita. Eu não sei o que esperar disso aqui, mas sei que vai acabar doendo.
- Sim, já... - e ele sorri.
- Como foi? - você não sabe, mas ainda está sendo.
- Doloroso. - Ele larga o violão e chega mais perto.
- Por quê? - Me questiona com aqueles olhos enormes.
Porque você não me vê da maneira que eu gostaria. Porque eu daria tudo pra ser aquela que tira teu sono e te abraça no frio. E eu não sou nem seu desejo embriagado. Estamos a sós e você nem parou pra enxergar que eu poderia estar em qualquer outro canto dessa festa sem graça e apenas passei a noite toda do seu lado. Eu quis tanto ser livre e acabei ficando presa na esperança de um dia ser alguém especial pra você. É doloroso demais te ver em tantos outros braços quando eu só queria alguns minutos sendo sua outra vez. Eu me perco nas palavras e encontro todas novamente quando você para de fingir que nunca tivemos nada. Quando você se abre e me olha de verdade, ao invés de me encarar apenas por baixo desses óculos quando ninguém mais está vendo.
- Porque eu quis mais do que ele me queria. - E eu que dessa vez estou encarando os pingos dessa chuva que agora parece tempestade.
- E você insistiu? - ele tira os fios de cabelo que caem sobre meus olhos, e eu me viro pra ele.
- Só se ele quiser que eu insista... - automaticamente, como um imã, meu corpo se aproxima do dele e nossos olhos se encontram. A melodia suave transforma uma cena banal em cena de novela. Eu sei que deveria me afastar, mas seus lábios parecem uma boa ideia toda vez que penso em algo doce. É aqui que começo e recomeço toda vez,é aqui que quero ficar. A chuva que cai lá fora inundou a rua e fez com que você ficasse. Eu leio isso como um sinal do destino e você acha que foi algo banal. Atrapalhou sua volta pra casa e deu gás a minha esperança.
- Eu não sei se posso te pedir isso.- Os dedos deles acariciando meu rosto, ele chegando perto, nossos narizes encostando. Você pode me pedir o que quiser, meu bem. Se quiser ir, eu aceito. Mas se puder ficar, fica e me deixa te fazer feliz. Eu tenho feito tudo pra que você me note e veja que nossas coincidências vão muito além do que o gosto pelo mesmo tipo de bebida ou a marca de cigarro.

«Silêncio»

Então me beija com toda a vontade. Finalmente puxa meu corpo pra perto do dele e me faz acreditar outra vez. Foi assim que começamos, com um beijo quente numa noite nublada. E é assim que recomeçamos, com um beijo especial no meio do temporal. A cidade toda parou pra que o nosso carinho pudesse se concretizar, todos de dentro de seus carros observando o encontro dos nossos corpos. Todas as ruas cheias enquanto meu sentimento te inunda. Eu ignorei todas as placas de perigo e decidi ficar. Eu sei que vou me magoar, mas a dor valerá a pena se eu apenas tiver mais um pouco de você. Não repara a bagunça que deixaram aqui que eu finjo não ver essa cicatriz que você tem marcada no peito. E assim vamos deixar a chuva lavar nossas mágoas para que possamos recomeçar outra vez.

Hoje eu insistirei.

terça-feira, 12 de janeiro de 2016

Gasolina

Eu sei que fui radical. Nenhum deles tem culpa das feridas que você abriu. Só que o receio de que alguém possa me magoar, como eu achei que você nunca faria, me fez desistir. Eu não preciso desse drama na minha vida. Melhor, não preciso de ninguém me magoando. Eu preciso somente da pessoa que esqueci enquanto tentava te agradar: Eu mesma. Assumo que sou romântica, crio histórias e me afogo com meus próprios sentimentos. É a falta de sinceridade que me corta ao meio.  É o fato de não ter confiança em ninguém, decidir que poderia não valer a pena e acabar arrependida numa mesa de bar.

>> O mesmo final clichê de um filme alternativo.

Você chega, me apresenta um mundo tão divertido. Me beija ao lábios, diz poesias no meu ouvido, conhece meu corpo, segura minha mão, promete que vai ficar. Te acaricio ao cabelos, escrevo sobre teu sorriso, me perco nos seus olhos, te dou todo prazer, acredito. Você me ignora, não me procura, depois diz que a culpa é minha. Faz cena de pessoa difícil, eu faço a personagem psicótica. Me acalmo e você engrossa a voz. Não me pede desculpas e a minha ansiedade de te falar tudo o que tenho preso na garganta. Olha o que fez comigo! A culpa foi sua, eu nunca disse que ia ficar. Você entrou revirando a minha vida e decidiu sair como se tivéssemos sido nada. E fomos.

>> Então eu saio de cena, luzes se apagam e o cenário muda.

Você está feliz, há alguém mais divertida, que agora faz exatamente tudo o que disse que nunca faria comigo. Vocês estão juntos na luz do dia, eu só fui sua no escuro de um quarto de motel de uma praça qualquer. Eu sento na mesa, os lábios vermelhos e sorriso falso. Peço um copo e acendo um cigarro. Ela segura sua mão e te beija, você não se incomoda. Não diz que prefere ser discreto, não se afasta, não pede pra irem pela outra saída. Me dói de formas como eu nunca pensei que poderia doer, mas sempre disse que era forte e aguento firme. Meus amigos me dizem pra ignorar, que vou encontrar alguém melhor. E eu sei.

Não é você, não é nenhum desses que chegam e me servem de diversão por algumas horas, não é nenhum que não tenha coragem suficiente de invadir meu espaço e mergulhar no mar profundo do meu coração. Quem fica é porque tem motivos, quem vai é por ser fraco. Minha voz é doce, meu olhar distante e minha vontade de experimentar tudo que a vida pode oferecer é enorme. Não vai ser você ou qualquer outro que vai apagar o fogo que mantenho aceso no peito. Quem fica é quem tem combustível. Sou um ser em eterna combustão. 

>> Prazer, Gasolina.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

Quero começar falando sobre toda a curiosidade que você desperta em mim. Tem algo em você que me diz pra pegar a próxima saída e de uma vez por toda fugir do seus braços. Ao mesmo tempo, meu eu interno diz pra insistir, que tudo isso que eu sinto agora tem algum motivo. Eu tenho romantizado seus atos, ainda que seja algo que eu sei que não poderia fazer. Eu bato de frente com toda essa confusão e acabo escolhendo cair de cabeça nessa história. Se você não for nada do que eu esperava, ao menos vou manter nossos beijos como uma boa memória.
Sabe, eu me pego olhando nos seus olhos com uma vontade de invadir sua alma e conhecer seus segredos. Eu quero discutir sobre tudo e cair de rir quando você solta alguma piada fora de hora. Mas será que você faz isso? Eu apenas tenho pensado, imaginado e nada se concretiza. Vem aqui, senta do meu lado nessa mesa de bar e me conta seu passado. Ou não conta. Continua alimentando essa minha curiosidade. Seja esse mistério que me atiça e me faz querer ficar mais. Eu esqueci como voltar pra casa, me mostra o caminho da sua? Fala o que gosta em mim, toca onde mais te agrada. Faz algum movimento que me diga que eu posso sim ser mais do que uma diversão passageira.
Menino, como eu quero preencher teus dias com os meus sorrisos bobos e poesias melosas. Quero deitar na tua cama e só levantar quando as obrigações diárias mandarem. Eu quero tanto ser sua, mesmo sabendo que você nunca será só meu. O que me diz isso? Esse teu gosto de perigo! Mas me entrego a ele. Quero conhecer todo teu veneno, me embriagar com teu corpo e percorrer essas curvas tortuosas. Paixão avassaladora é o que você me faz querer. Incrível, eu sei. Tão pouco e já me tem de todos os jeitos.
Então agora é com você. É você quem decide se devo investir nessa história conflituosa, ou se devo fugir deixando em aberto um poema que tinha tudo pra ter um final mais interessante. Fica aqui agora, dança um bolero ou só faz essa graça que é me olhar escondido quando eu finjo que não estou vendo. Não, não foge agora. Você sabe que também te desperto essa vontade de descobrir como isso irá terminar. Então vem, traz você que o resto deixamos nas mãos do destino.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

Poderíamos ser, mas nunca fomos

Você me escreveu suas sentimentalidades. Abriu seu coração e desnudou sua alma. Achei tão bonito seu jeito de me pedir carinho, e se mostrar sensível num mundo de pessoas tão frias. Então fui, decidi tirar aquela minha casca de gelo e aceitar suas investidas. Mas de forma estranha, você sumiu. Talvez tenha gostado da minha armadura, e ficou assustado quando me viu frágil. Achou interessante esse meu jeito distante e não entendeu quando me viu te chamando pra ficar mais um pouco. Eu também não gostei.
Só que o peso da armadura triplica, fica difícil recolocar da mesma maneira e acabo criando barreira maior. Mas logo depois você voltou. Como quem não quer nada, magoado. Se interessou por outro alguém, eu entendo. Eu não me interessaria somente por mim também, não se preocupe. Pode chegar, eu sirvo bem pra curar corações partidos. Mas vai ser difícil me entregar outra vez. Você diz que tudo bem, mas não quer essa distância. Quer nossas conversas, nossos risos. A intimidade que criamos. Eu também andei por outros terrenos, posso voltar a te dar atenção. Não foi o único que errou.
Chega me dando mais carinho, faz os elogios certos. Abrindo rachaduras no gelo que reveste meu peito, mostrando todo seu calor. Eu resisto e me envolvo com outro alguém. E te conto, pra doer na sua carne o quanto doeu pra mim aquela outra vez. Eu não te contei, mas sou vingativa. Acontece. Você não gostou, ficou magoado. Falou demais, atacou e disse que não sabia mais o que fazer. Então decidi te contar que doeu te mostrar meu interior e ver você se interessando por outro alguém. Depois doeu ter servido pra ouvir sua dor, secar suas lágrimas e te oferecer um colo. Você me pede desculpas, não sabia que eu tinha aberto uma fenda no meu peito que deixou você bagunçar tudo. Vamos ficar bem?
E eu me permito outra vez retirar o casaco de metal que uso para que sorrisos como o seu não perfurem meu coração. Logo depois você aparece em vídeo, com aquele cigarro no canto da boca e aqueles lábios que foram desenhados pros meus. Fui atingida outra vez. Fraca. Fraca. Isso que eu repito algumas vezes enquanto você me faz seu brinquedo favorito. Tem meus beijos, tem meu carinho, percebe minha vontade de te fazer ficar. Mas nunca fica. Aqui não é lugar de pouso. Apenas um lugar de emergência pra decolar, depois que alguma viagem não deu certo. Joga as suas bagagens emocionais e segue a vida, deixando todo o peso e amargura. Volta pro céu. Você e seu sorriso de lábios desenhados, eu e essa armadura pesada. Quem sabe um dia você não se decide e fica.