sábado, 27 de agosto de 2016

Olha, eu bebi seis litros de cerveja. E isso, pra mim, não è nada. Outros estariam ligando pros seus ex desesperados, dizendo que querem voltar. Jogados num canto de um bar qualquer, dizendo que cansaram do amor. E eu to aqui, sem a ajuda do álcool (ok, ele pode ter ajudado um pouco) só pra dizer que gosto de você. Não foi difícil, nem doeu. To ótima aqui. Não é loucura de gente bêbada, veja bem. O que eu faço é só vomitar. Limpar meus fluídos é muito mais digno do que jogar fora meu orgulho. E você sabe que já deixei explícito seja 05 da manhã, 01 da tarde ou às 22 de uma sexta a noite. Enquanto todos estavam em braços desconhecidos, eu não queria nem me aproximar de seres humanos levemente atraentes. Você não me pediu exclusividade ou monogamia, mas sou sua já vou deixando bem claro. E por isso, quero só você. Não me interessa o ruivo irlandês barbudo que queria ms conhecer, ou o menino do outro departamento da empresa que tira o ar das minhas amigas ao passar. Muito menos o meu cantor favorito, nem a suposta garota dos meus sonhos (por que não?). Eu quero você. Lê três ou sete vezes se for necessário. Você. Tá escrito teu nome bem na minha testa ou seria na cara apaixonada que fico quando teu nome surge na tela do meu celular?
Sei lá, achei que seria bom te dizer que um mês depois de tudo começar e parecer que aprendi a beijar beijando você porque sua boca encaixa perfeitamente na minha. É bom escutar numa sexta, de lua minguante, que alguém tem um sentimento crescente por você. É isso.

domingo, 17 de julho de 2016

A flor mais bonita do jardim

Você me falou sobre a cor lilás da flor mais bonita do jardim do seu sítio. Eu imaginei cada detalhe da flor, e me levei diretamente pra sua infância. Eu ouvi suas palavras, a forma como descrevia os detalhes daquele dia fatídico que começou com a flor mais bonita do jardim e terminou com você levando 3 pontos na testa. E eu entendi que quando você quer muito algo, você se arrisca. Te disseram pra não subir naquele balanço de corda preso na árvore, mas você decidiu que deveria escalar pra conseguir ver de perto os detalhes da flor que era a mais bonita do jardim. Foi subindo e se balançando aos poucos. Sentiu medo algumas vezes, mas medo de altura é super normal pra uma criança de 8 anos. E me contou isso nervoso, como se estivesse experimentando aquela sensação outra vez. Quando alcançou o galho e pode ver de cima a flor mais bonita do jardim, o lilás se tornou a sua cor favorita pelos próximos 5 minutos. A observou com toda a delicadeza, e sentiu vontade de levar suas mãos e encostar naquilo que parecia ser a beleza única de toda a natureza. Puxou delicadamente a florzinha que agora não era mais tão grande quanto imaginava. E desequilibrou. Caiu de testa no chão, mas sua flor permaneceu intacta porque conseguiu protegê-la enquanto voava direto pro terreno. A gente protege o que se admira, tem até uma música que fala sobre gostar e cuidar, né?
É.
Então voltou seus olhos pra mim, e disse que quando conseguiu entender que havia caído e estava sentindo dor, você não gritou. Você voltou seus olhos pra flor mais linda do jardim, e percebeu que não era lilás a sua cor favorita. A sua cor favorita era o vermelho do seu sangue sobre o lilás daquela flor que hoje você nem acha mais tão bonita assim. Culpa a dor que sentiu pela diminuição da apreciação. Quando a gente sente dor, o sentimento diminui, sabe?
Sei.
Encostou suas mãos na minha e disse que o vermelho do meu cabelo foi a certeza que te fez ficar. Eu tinha tantas qualidades pra te oferecer e você ficou com medo de ir atrás disso, e acabar com 3 pontos multiplicados por não-sei-quanto, só que no coração. Mas quando abriu os olhos depois daquela nossa noite, a sua cor favorita era o vermelho dos meus cabelos encostados no teu peito. E foi a coisa mais linda que já me disseram. Eu segurei as lágrimas, enquanto você fingia não reparar que havia quebrado a camada mais dura do meu coração. Quando deslizou seus dedos tirando a minha blusa, viu a tatuagem de rosa e percebeu que eu era a flor no alto do jardim que você precisava arriscar. Tudo bem se doer, eu vou cuidar. Você decidiu que não queria me arrancar do alto do jardim, que eu estava exatamente onde deveria estar. Eu sou a flor mais bonita do meu jardim, e você aquele que me faz desabrochar.

Retorna

Você se lembra daquela vez que seu celular parou de funcionar e eu fiquei esperando a sua resposta por dias? Então apaguei seu número e decidi que não ia mais investir, que ia sair, beber e esquecer que estava começando a me apaixonar pelos teus olhos tão lindos. Você surgiu quase uma semana depois, me pedindo mil desculpas e eu duvidei de cada palavra sua. Fingi que não havia me importado, que não estava esperando, que tinha esquecido o que falávamos. E a minha frieza fez com que você também decidisse que não tinha mais porque me encontrar. Dois bobos.
Eu passei todos os 34 dias que passamos separados pensando em alguma forma de te trazer pra minha vida outra vez. Eu tinha prometido e jurado que não te queria mais. Eram muitas diferenças de opinião, eu era tão liberta e você tão conservador. Futebol, religião, política e distância. Tantos fatores me levando pra longe e eu só te queria por perto mais uma vez.
Mandei aquela mensagem com o coração na mão, e os olhos nervosos. Escrevi algumas centenas de vezes o melhor "olá" que conseguia pensar. Como te dizer que fui estúpida? Como te dizer que eu deveria ter te entendido e que conseguia passar por cima das nossas diferenças porque o seu beijo tem o gosto do meu querer? Depois de ter largado o celular e desligado a internet algumas vezes, tentando fugir dessa vontade de te procurar, finalmente enviei o que achei melhor. Corri pra debaixo do cobertor e fiquei olhando fixamente o teto. O que eu estava fazendo? E se você já estivesse com outra pessoa? E se terminar aquele romance que estava no começo, porque eu queria mesmo era você, foi outra atitude impensada? Traz teu sorriso de bom moço que eu esqueço tudo o que aconteceu.
E você trouxe. Em emojis e em bares. Me pegou pela mão, me levou pra dançar, tirou meu vestido e me fez sua. Sentou do meu lado, riu da nossa falta de diálogo, me pediu pra não bancar a princesa de gelo e acariciou meu rosto. Escolheu a cerveja que me agrada, acendeu um cigarro e levou meu coração pelas ruas da Lapa. Colocou os óculos na mesa e me apresentou outra vez aqueles olhos castanhos que brilham com a intensidade das estrelas. Contou uma piadinha, implicou com a minha posição política e me beijou a boca.
Olá! Será que esse lugar reservado no teu coração já tem nome na lista, ou eu posso colocar o meu? Se fechar até ás 17h, eu ainda tenho tempo. Se já estiver fechado, avisa que ninguém vai vir mais e eu sou a primeira da fila. Espero que essa mensagem não chegue atrasada que nem a última que enviei, e que a internet colabore, e que seu celular continue funcionando, e que não haja mais nenhum imprevisto. Eu vou ficar aqui e arrumar um tempo no meu dia, pegar cinco ônibus se for necessário, e deixar a rixa dos nossos times lá fora. Ainda quero conhecer sua história, falar sobre primeiras vezes e fingir que serei sua última. Me beija a boca quando fico nervosa, não me deixa falar demais pois assim posso estragar tudo. Fica aqui que vai começar a chover daqui a pouco, e o teu abraço tem cheiro de proteção.

quarta-feira, 1 de junho de 2016

Vazios

Não estou pedindo seu afastamento. Vamos apenas manter espaços. O espaço da minha vida e continua em minhas mãos. O coração deixo para você. Mas não esqueça que quem manda em tudo é apenas meus cérebro totalmente racional, que ignora todas as suas tentativas frustradas de aproximação. Mantenha-se distante. Aconselharia uns 300 metros, mas ainda não produzem ordem judicial para casos como o nosso. Coisa de pele, você diria. 
Deixo o sabor do meu sorvete favorito para você, assim como deixo nossa canção também. Uma hora o sorvete ou a música podem funcionar com outra pessoa, comigo só piora a situação. Fingiremos sutilezas quando, na verdade, queimamos em chamas por dentro. Mas manteremos a classe. Somos apenas dois seres humanos, cheios de sentimentos, ressentimentos, medos, ânsias e sonhos que se encontraram, apaixonaram-se e agora tornaram o sentimento imortalizado em forma de estrela. 
Agradeço seu telefonema, agradeço a tarde maravilhosa que passamos juntos, agradeço sua dedicação em tentar me deixar confortável como toda a situação complicada. Agradeço também o fato de ter me deixado comer metade das suas batatas apenas para me ver sorrir. Tem tanta coisa doce e satisfatória em você que me recuso a tentar entender porque não demos certo. Obrigado pelo álcool compartilhado e os cigarros que fumamos durante tantas horas de conversa, meu fígado e pulmão realmente não me são mais importantes perante esta nova fase.
Mas se ainda não tiver jeito e a vontade de ficar permanecer e se tornar mais forte do que a vontade de descobrir novos continentes, me deixa permanecer no espaço do teu peitoral, que tanto me abriga bem. Só não deixa o espaço entre minha loucura e desfuncionalidade, vazio. Porque, ainda que não pareça, sou tão cheia de vazios incertos que a minha debilidade deveria ser atestada. E minha certeza, contestada.

domingo, 8 de maio de 2016

Através do espelho

Você joga o cabelo e fala de amor com uma personagem de filme alternativo. Segura o cigarro, e o traga de olhos fechados. Sorri de canto, checa o celular e suspira incomodada. Te chamam de coração de gelo, duvidam quando se diz apaixonada e riem das experiências sofridas que já teve. Eu vejo a dor atravessar seu corpo, como um feixe de luz branca. Toda vez que vou de encontro ao espelho, ali está você. Dolorida, com a ansiedade lhe roendo os ossos. Ignoro os sinais e te afundo nesse amontoado de mágoas passadas. Você é uma criança com medo do escuro e eu sou a adulta que acha que tudo isso é pura besteira. Amanhã quando se levantar, talvez sinta o mesmo. Só que o hoje é o amanhã de ontem e ainda sim você reluta. Tem muita dor no teu peito, tem uma carência sufocante e um amor tão bonito que nunca será entregue. Isso é o que concordamos. Eu era sua esperança e rasguei todas as bandeiras verdes. Aqui não há futuro pra essa romântica que se envolve com quem lhe dá o mínimo de atenção. Já te contei que abraços no meio da madrugada ou mãos dadas em ruas movimentadas não significam amor. Então limpa esse olho borrado, repassa o batom vermelho e vê se usa um cimento de boa procedência nesse teu coração de pedra. 

sexta-feira, 1 de abril de 2016

Timing

Eu vivo com o constante medo de que você já surgiu na minha vida e eu estava focada em outra pessoa. Tenho a impressão de que você estava naquela festa que todos os meus amigos foram, mas eu preferi ficar em casa com as minhas séries. Talvez eu conheça seu melhor amigo (e odeie), talvez você já tenha visto a minha melhor amiga (e foi afim dela). A estação onde pego o metrô pro trabalho, é seu ponto final. Nós frequentamos os mesmos bares, em dias alternados. Você estava naquela balada que eu cheguei ás 3 da manhã, e foi embora meia-noite porque estava com dor de cabeça. A sua ex fez um vídeo romântico no aniversário de namoro dos dois com a música que me faz lembrar do relacionamento abusivo que tive. Odiamos essa mesma melodia por motivos diferentes. Você entrou na cafeteria pra me procurar, querendo criar um tipo de cenário romântico clichê pra sua próxima conquista, e eu tinha ido embora pois o sistema de cartão estava fora do ar. Eu estava bem ali, entende? Perto dos seus olhos, longe das suas mãos. Faltou o timing. Sempre houveram desvios do destino. Talvez se eu não tivesse esperado meu ônibus por uma hora e vinte sete minutos. Talvez se eu tivesse seguido a minha vontade e feito algo diferente naquela noite onde você havia decidido se arriscar também. Talvez se eu não estivesse sempre sem sorrisos e ignorando todos enquanto danço. Talvez se eu não tivesse namorado um canalha. Talvez se você tivesse ido tatuar no mesmo dia que eu. Talvez eu tenha perdido tanto tempo desejando que você fosse outro alguém que nosso tempo passou e nem nos conhecemos. Ou talvez você esteja por aí, pronto pra pegar o caminho errado e finalmente cair na minha vida.

quinta-feira, 24 de março de 2016

Deserto K


Eu jurava que iria chover no dia que nos encontramos pela última vez. Como se a natureza estivesse limpando seus rastros da minha alma. Nunca mais houve uma gota d'água caindo do céu, e agora estamos presos nesse verão que secou todas as minhas lágrimas. Você se lembra do dia que me beijou em meio a praça, como se mais ninguém existisse nas nossas vidas? Eu me pego imaginando o que teria acontecido se fosse mais fraca. Fui embora sem olhar pra trás, com todos os meus sentimentos conturbados, sem palavras que pudessem te dizer o que aquilo que significou pra mim. Eu vi uma chama de esperança acender toda a lareira que a sua frieza havia apagado. Somos um erro climático.
Mas quando toca aquela música, quando eu pego aquele ônibus, quando tudo volta a tona, eu perco a razão. Eu descubro que ainda sinto, sinto muito. Essa noite sonhei que estávamos dormindo juntos. Você se mexia muito, respiração pesada. Coloquei minha mão no seu rosto e aconcheguei sua cabeça no meu peito. Eu entoava baixo algo que entendi como "você ainda está aqui". Não eu. Você. Impedindo que meu coração siga outros caminhos. Aumentando minha ansiedade. Cortando meus laços. Eu costumava ser um navio sem porto que me prendesse, e você me ancorou no seu triângulos de bermudas tactel. Estou a espera de um pirata corajoso o suficiente pra encarar minhas barreiras e tire da sua dominação.
Eu estava lá quando você pegou a curva mais fácil da rodovia e me fez te perder de vista. Eu vi você indo pro caminho que parecia mais agradável. Eu sofri durante meses, aguardando sua volta. As malas no chão, a poeira machucando meus olhos. A única água que aquele deserto conheceu foi a salgada. Então surgiu um pequeno oásis quando meu celular apitou. Era você, e aquele sorriso que eu já conheço tão bem. Fui correndo, me joguei outra vez de peito aberto. E era apenas miragem.
Mal me curei dos machucados antigos que você havia me proporcionado e já havia novas feridas em aberto. Você nunca me deixa cicatrizar. Rasga minha pele e leva meu coração sem dificuldades. Esquece em cima da sua mesa de cabeceira, e eu fico sem chão. Me devolve sentimentos surrados, que já não cabem mais em mim. Sou um todo que vira nada só de imaginar seu toque.
Num deserto de relações fragilizadas, eu encontrava em você a saída pra minha solidão. Descobri vazio, e meu grito sem resposta ecoando nessa imensidão. Agora vivo essa solidão paralela, vendo areia onde deveria ter sentimentos. Você acabou com as minhas esperanças e as enterrou sem mapa para o tesouro. Tem sido doloroso, mas vou saber sobreviver.

terça-feira, 22 de março de 2016

Alcatrão, Nicotina e Seu Sorriso

Eu te trago como esse cigarro entre os meus dedos. Carrego você na minha bolsa. Quando sinto vontade, te acendo. Coloco minha boca nos seus lábios e sinto um pouco da minha vida se esvair a cada suspiro. Você está ali quando eu quero. Mas eu não te quero mais. Você não é necessário, você me deixa nervosa, você sacia meus desejos. E só. Não é como se estivesse apaixonada por você. Mas só me agrada o seu gosto: vezes mentolado de chiclete, vezes amargo de café. Você combina com mesas de bar, pausa para café e sexo. Parece vulgar, mas é quando te procuro. Ou quando sinto a sua falta por não ser você em nenhum destes momentos.
Não sei quando esse vício começou. Um dia você estava lá e eu quis experimentar. Nossa primeira vez não foi uma boa experiência. Algo me incomodava, minha pressão caiu e atacou minha asma. Tentamos outras vezes, e melhoramos. Você começou a diminuir minhas ansiedades, seu cheiro ficava pela minha pele. Ninguém entendeu como nos envolvemos. Eu parecia querer distância e agora, quando tento me afastar, volto com ainda mais vontade. Tentando compensar a falta que fez durante os dias longe.
Quando não te procuro, compro um maço. Enfraqueço e checo meu celular. Nada seu. Desiludida, acendo um cigarro. Passam as horas , a vontade de ser sua outra vez me consome. Pausa pro café e agora era você que eu queria encostando meus lábios ao invés desse copo plástico. Chego em casa, deito na cama. Nenhuma notícia sua. Você desapareceu como fumaça. Acendo outro cigarro, tentando acalmar meu corpo, relaxar meu peito.
Talvez eu não te ame. Talvez eu ame os efeitos destrutivos que você causa em mim.

domingo, 21 de fevereiro de 2016

Vai com deus

Está vendo aquela mala do lado da porta? É sua. Todos os sentimentos e sensações que você me provocou estão ali dentro. É a sua hora de ir embora. Eu fico, você vai. Eu já era minha antes de você aparecer, então por que eu deveria me deixar de lado por sua causa? Talvez realmente tenhamos grandes diferenças de pensamento, ou criações diferentes, ou militâncias diferentes, ou qualquer explicação que seja plausível pra você. Mas eu sou isso aqui e é isso aqui que eu tenho pra te oferecer. Se te ofende ou diminui, você deveria tratar isso consigo mesmo antes de encarar um relacionamento com quem fala o que pensa.
Talvez eu seja mesmo sincera demais, talvez eu até queira me impor de forma mais agressiva. Fui silenciada várias vezes de várias formas tantas vezes antes da sua aparição. Talvez você tivesse gostado da menina de 16 anos que faria tudo pra te agradar. A mulher de 23 que hoje sou, faz o que quer. E te agradar não é a minha prioridade no momento. Fazer elogios, dar carinhos e bater um papo descontraído é porque gosto de você. Mas se o que eu sou não te faz gostar bem desse jeitinho de mim, não vou me mudar pra ter você por um tempo a mais. Em alguma hora minha essência forte e destemida ia explodir no meio da sua cara, e teria a força de um furacão. Vamos fazer um bem pela humanidade e evitar uma catástrofe.
Eu quis muito saber onde poderíamos parar. Eu imaginei histórias, sonhei mais alto que poderia voar. Eu me entreguei de verdade a esse sentimento que apenas havia plantado uma semente. Poderia crescer forte no meu peito, mas eu preferi arrancar pela raiz. Não que você não seja bom, você é ótimo. Mas não pra mim. Não agora, não hoje, não nesse meu momento. Não até você perceber que não há como mudar o que sou. Não enquanto você insiste que sabe tanto de mim. Não, você não sabe. Não, você não me conhece o suficiente. Não, eu não quero suas conclusões precipitadas de pessoa racional demais. Você conheceu o que eu te permiti conhecer, mas não derrubou nenhum dos meus muros. Eu sou uma pedreira e você não possuía munição o suficiente pra me demolir. Na verdade, quando tentou me atacar com as palavras, derrubei alguns pedregulhos pra te mostrar minha força real. E você se afastou, como sempre aconteceu.
Eu já me acostumei com esses finais, e agora é a hora que eu tento recomeçar outra vez. Eu errei algumas vezes quando pensei que segurando alguém, faria esse alguém ficar. Eles só ficam quando querem, e eu não tenho paciência pra esses dramas românticos de relacionamentos do século XXI. Eu quero, você quer? Então é isso que vamos ter. Eu não vou esperar uma decisão que nunca vem, eu não vou esperar seu telefonema que nunca acontece, seu "bom dia" que nunca chega. Não há espera quando não há motivos. Eu até emiti algum tipo de som, mas seu silêncio rasgou todas as folhas com palavras doces que escrevi sobre nós dois.
Foi bom enquanto durou. Talvez ainda haja esperanças da sua volta, da sua permanência, de você me querer por tudo o que eu sou e não pelo que a sua imaginação criou. Se aí sim, quando você aceitar que sou fortaleza e não aquele ser raso que pensava, poderemos recomeçar. Mas por enquanto você pode ir levando sua mala e me deixando ser o que eu sempre fui: EU.


quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

Sem luz, com amor.

Sua silhueta me parece muito mais atraente quando estamos a luz de velas. É assim que vejo seus contornos e me pego admirando suas sombras. É assim que percebo que a sua beleza não possui lado ruim. Você chega perto, fala manso, diz que não vê a hora da chuva passar. Concordo com a cabeça, mas admito em pensamento que foi a hora perfeita pra cidade ficar neste breu. Você estava ocupado demais com seu trabalho, eu silenciada pela televisão. Então começou a chover e ouvi sua voz surpreso, como já não escutava há tanto tempo. Você me viu correr uma maratona para fechar as janelas antes da água invadir o apartamento. E riu. O som da sua risada costumava ser a minha canção de ninar. Tentou imitar meu pulo do sofá e fechou este livro que agora não tenho mais ciúmes. Nas duas últimas semanas, você se deitou mais com o maldito livro do que comigo! E agora eu era a sua rainha outra vez. Corri para o seu encontro e entre tapas de almofada, nos beijamos. Eu sei que nos alertaram que o convívio pode diminuir o amor, mas ninguém me avisou que eu iria me apaixonar outra vez a cada beijo mais animado. Eu olho pra você agora e tenho cada vez mais certeza que somos dois inteiros que se juntaram para formar o casal perfeito. Você me romantiza quando traz aquelas flores uma vez por mês, e eu te transformo em poesia sempre que  há um papel em branco no meio das suas coisas. Vez ou outra não percebo algumas letras miúdas e você passa vergonha ao entregar uma poesia sobre o seu sorriso para algum cliente. Me liga sempre feliz, nunca irritado. Diz que achou lindo e desfez o mal entendido. E são nesses dias que você chega em casa explodindo de felicidade e desejo. Me puxa pros seus braços, mesmo quando estava toda suada, e selamos nosso pacto de amor por toda a casa.
Alguns dias serão mais difíceis para conseguir toda a sua plena atenção, sei que a vida anda ocupada e os dois estão cheios de trabalho pra entregar. Mas não vou reclamar se fez ou outra São Pedro se juntar a companhia de energia e nos desligar de toda essa tecnologia. Vou poder te falar como você fica bonito a luz de velas enquanto me beija os seios. Você vai elogiar cada curva do meu corpo, principalmente o sorriso que surge quando me fala essas coisas. Vamos viver esse amor na sua mais pura essência, como duas crianças descobrindo jardins secretos. E depois voltaremos, junto com a luz, as nossas tarefas de adulto. Eu sei que te amo porque vivo na espera de ser tua toda vez. Eu sei que você me ama porque sempre me faz sua antes de qualquer outra coisa. E nos basta esse amor, com barulho de chuva e pouca luz.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016


Poderia ser cena de filme. A música, bebida, risada entre beijos. Um bar só nosso, como no começo de uma comédia romântica, onde estou pronta para cair nas aventuras que a vida irá nos enfiar. Não sou a típica mocinha, mas você se parece bem com quem eu escolheria para terminar essa estória. Implico, falo alto, danço sem parar, bebo demais, evito diálogos profundos, me escondo por trás de uma camada de metal. Difícil invadir meu mundo, conhecer minhas fraquezas. Só deixo exposta a minha doçura. Vou distribuindo mel de flor em flor. Uma abelha reversa. Um conto inacabado, um sorriso que travou no meio do caminho. Então começo a imaginar quando você vai embora. Amanhã, daqui duas semanas ou vai esperar alguém mais interessante surgir? Quando penso em você, não é sobre o nosso futuro. Penso sobre nosso término. Eu já me acostumei com eles, rapaz. Não se sinta tão especial.
Não acredito que nada seja eterno. Minha desconfiança e medo de falhar perduram eternidades - isto se você também acredita em vidas passadas. É um sentimento que não termina. Não me encaixo, não sirvo, não funciono. Defeito de fábrica. Será que dentro do teu peito existe a peça que falta para um melhor desempenho e reparo total? Claro que não. A cura é interna. O externo só confunde e complica. Cria problemas onde as contas eram apenas de adição. O valor do x não importa se a resposta for sobre quando você volta. Que seja hoje, amanhã, quarta de cinzas ou até Natal. Um dia eles sempre voltam.
A música vai se repetir, porém com cantores e letras distintas. Uma trilha sonora repetitiva que conta sempre sobre a dor de querer alguém que nunca fica. Passeando sobre todos os gêneros, utilizando elementos urbanos como plano de fundo para os vídeos que crio enquanto visualizo a cidade pela janela do ônibus. Carros, praias, chuva, folhas, outros casais. Isso é eterno, essa inspiração baseada em fatos do cotidiano, pois me falta inspiração romântica real. Apenas idealizações e histórias que nunca começam e o fim sempre chega.
Confusa, silenciosa. Um vulcão adormecido, pronto para voltar a ação. Mas os tempos não são bons. Pensei que o El Niño me faria aquecer, só congelou. A lava quente resfriou e me cobriu de pedra, poeira e saudade. Vou usando meu canto congelado pelos mares dessa terra. Uma sereia sem porto, naufrando todos que se aproximam. Uma mistura dos elementos: Terra, água, ar e fogo. O que eu esperava dessa junção era vir a amar (virar teu mar).

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

Ghosting

Chega. Sorri. Ilumina. Sorri outra vez. Olho. Sorrio. Mexo no cabelo. Se aproxima. Oi. Tudo bem? Tudo. Vem sempre aqui? De vez em quando. Nome. Idade. Profissão. Faculdade. Tá acompanhada? Sozinha. Como sempre. Música ao fundo. Danço. Sorrio outra vez. Se aproxima. Mão na minha cintura. Faço charme. Me aproximo. Mão na nuca. Beijo. Os corpos se aproximam. Sorrimos. Outro beijo. Anota meu telefone. Fala o número. Guardei aqui. Fala um oi. Salvei o seu também. Beijo. Beijo. Beijo. Já volto. Continuo dançando. Falo com as amigas. Ele volta mesmo. Se aproxima. Beijo no rosto. Se apresenta. Minhas amigas saem. Me beija com vontade. Beijo. Eu. Beijo. Quero. Beijo. Te. Beijo. Conhecer. Beijo. Melhor. Sorriso. Vamos pra outro lugar? Hoje não. Pode ser um lugar mais calmo. Acho que não rola. Barzinho com música não tão alta? Sim. Mas as amigas vão juntas. Tudo bem. Só quer me ver sem essas luzes. Saímos. Bar da moda. Me elogia. Sou linda. Sou simpática. Carícias. Preciso ir embora. E vou. Durmo. Ele nunca vai me procurar. Acordo. Mensagem dele. Interessado. Quer me encontrar. Conversamos por horas. Vamos sair? Vamos. Vou me arrumar. Te aguardo. Dia maravilhoso. Conto no twitter. Ele troca algumas palavras. Emoji. Emoji. Emoji. Rs. Kkk. Puxo assunto? Melhor deixar pra lá. Uma semana. Nada. Supero. Oi sumida. Você quem sumiu. É a mesma distância. Saudades. Legal. Como você está? Bem. Eu também. Vamos marcar. Vamos sim. Hoje? Não posso. No sábado? Sim. Passam 4 dias. Encontro ótimo. Me faz rir. Conversamos. Vou embora feliz. Sem tempo. Eu entendo. Cheguei. ... . ... . Legal. ... . ... . Hey. Oi. Tudo bem? Tudo. Eu também. Silêncio. Um dia. Dois dias. Três dias. Hey. Visualizado. Não respondido. Quatro dias. Cinco dias. Seis dias. Sete dias. Oito dias. Nove dias. Decido sair. Bebo. Instagram. Ele curte. Oi linda. Saudades. Sem tempo. Esqueci de responder. Muita coisa acontecendo. Como você está? Senti sua falta. Seria legal te ver de novo. Vamos fazer algo mais divertido. Sem cinema. Sem barzinho. Sem amigos. Só nós dois. Não. Não tenho tempo. Não vai rolar. Eu não quero. Tudo bem. Cinema então? Ok. Beija. Senti mesmo sua falta. Vamos pra outro lugar. Fomos. Beijo. Sexo. Beijo. Me deixa em casa. Beijo. Vai embora. Me avisa quando chegar. Visualizado. Não respondido. Online. Apago a conversa. Excluo o número. Era isso que queria. Desde o começo. Um dia. Dois dias. Três dias. Quatro... Quem continua contando? Oi. Oi. Você sumiu. Eu? Sim. Cerveja? Não. Por quê? Você vai sumir. Eu te disse que ando ocupado. Tcc. Faculdade. Trabalho. Autoescola. Vida. Vamos. Cerveja. Estendemos. Noite toda. Dormimos juntos. Vou embora. Oi. Oi. Já chegou?. Que bom. Me procurou. Pode ser. Talvez. Sem expectativas. Me conta seu dia. Cansativo. Monótono. Chato. Fala do cachorro. Do videogame. Da amiga. Do namorado de uma amiga. Da ex do melhor amigo. De café. De academia. Faço uma pergunta. Visualizado. Não. Ou sim. Não lembro. Emoji. Emoji. Emoji. Kkk. Rs. Uma semana. Duas semanas. Três semanas. Dia de festa. Conheço alguém. Acho que vai der a mesma história. Não. Hoje não. Conheço outro. Não. Não quero. Outro. Não. Não posso mais. Chega. Dois meses. Superei. Conheci outro alguém. Esse é diferente. Sim? Sim! Visualizado. Respondido na mesma hora. Coração. Quero te ver hoje. Vamos. Quero te ver amanhã. Vamos. Depois também. Por mim, tudo bem.
Hey sumida. Número bloqueado.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

Paraíso Particular

A chuva não molha nossos corpos. Estamos protegidos pelas paredes desse quarto. Nem escutamos o barulho das gotas na janela, Nossos sussurros e gemidos abafaram os sons externos. somos só nós dois contra todo o mundo. Eles se perdem em problemas simples. Nós nos encontramos um na pele do outro. Quando nossos corpos se tocam, toda magia e coisas inexplicáveis ganham sentido. Aqui é onde sempre deveríamos estar. onde a bagunça e confusão desse mundo sujo nunca irá nos alcançar.
Não sou seu porto seguro, nem ele é o meu. Ele é tudo que me faz tremer e ficar nervosa. Não consigo me conter. Tenho ciúmes, quero segurar sua mão no meio do bar e mostrar que estamos juntos. Mas o deixo livre. Ainda que a sua liberdade signifique a minha queda. Só que me manterei de pé, ele não precisa saber o que faz internamente comigo. Deixo apenas meu gosto na sua boca e me levanto da cama.
Ele me abraça por trás e sinto sua boca percorrer meu pescoço exatamente como a gota que observo escorre pelo vidro. Delicado e sutil, poderia significar nada. Mas significa tudo pra mim. Eu caio nos seus braços e volto pro meu paraíso particular, onde ele é a divindade pela qual fico de joelhos e faço pedidos ofegantes. A chuva continua lá fora, mas aqui só sinto um calor crescente.
Vem, meu bem.

domingo, 24 de janeiro de 2016

Insisto

"Você já gostou muito de alguém?", ele me pergunta enquanto encara as gotas que escorrem pelo vidro da janela. Minha vontade é dizer que sim, e estou gostando nesse momento. Mas ele não ia entender, ou ia fingir que não era sobre nós. Então ele começa a dedilhar o violão e me encara. Sabe que eu gosto dessa música. Canto baixinho e desafinada, e ele sorri. Eu só falo sobre ele nos meus últimos textos e ele nem imagina isso. Finge que não sabe ou até só duvida, mas eu sei que sinto e tem ficado cada dia mais intenso. Poderia fugir, falar com outra pessoa, mas algo me prende. Eu não quero mais ninguém. Não há outro sorriso e olhar que me faça querer ficar. Chega aqui, me puxa de uma vez pros teus braços, moço. Fala que não importa com mais ninguém e que fomos feitos pra durar. Ou não fala nada, mas para de ser essa incógnita. Eu não sei o que esperar disso aqui, mas sei que vai acabar doendo.
- Sim, já... - e ele sorri.
- Como foi? - você não sabe, mas ainda está sendo.
- Doloroso. - Ele larga o violão e chega mais perto.
- Por quê? - Me questiona com aqueles olhos enormes.
Porque você não me vê da maneira que eu gostaria. Porque eu daria tudo pra ser aquela que tira teu sono e te abraça no frio. E eu não sou nem seu desejo embriagado. Estamos a sós e você nem parou pra enxergar que eu poderia estar em qualquer outro canto dessa festa sem graça e apenas passei a noite toda do seu lado. Eu quis tanto ser livre e acabei ficando presa na esperança de um dia ser alguém especial pra você. É doloroso demais te ver em tantos outros braços quando eu só queria alguns minutos sendo sua outra vez. Eu me perco nas palavras e encontro todas novamente quando você para de fingir que nunca tivemos nada. Quando você se abre e me olha de verdade, ao invés de me encarar apenas por baixo desses óculos quando ninguém mais está vendo.
- Porque eu quis mais do que ele me queria. - E eu que dessa vez estou encarando os pingos dessa chuva que agora parece tempestade.
- E você insistiu? - ele tira os fios de cabelo que caem sobre meus olhos, e eu me viro pra ele.
- Só se ele quiser que eu insista... - automaticamente, como um imã, meu corpo se aproxima do dele e nossos olhos se encontram. A melodia suave transforma uma cena banal em cena de novela. Eu sei que deveria me afastar, mas seus lábios parecem uma boa ideia toda vez que penso em algo doce. É aqui que começo e recomeço toda vez,é aqui que quero ficar. A chuva que cai lá fora inundou a rua e fez com que você ficasse. Eu leio isso como um sinal do destino e você acha que foi algo banal. Atrapalhou sua volta pra casa e deu gás a minha esperança.
- Eu não sei se posso te pedir isso.- Os dedos deles acariciando meu rosto, ele chegando perto, nossos narizes encostando. Você pode me pedir o que quiser, meu bem. Se quiser ir, eu aceito. Mas se puder ficar, fica e me deixa te fazer feliz. Eu tenho feito tudo pra que você me note e veja que nossas coincidências vão muito além do que o gosto pelo mesmo tipo de bebida ou a marca de cigarro.

«Silêncio»

Então me beija com toda a vontade. Finalmente puxa meu corpo pra perto do dele e me faz acreditar outra vez. Foi assim que começamos, com um beijo quente numa noite nublada. E é assim que recomeçamos, com um beijo especial no meio do temporal. A cidade toda parou pra que o nosso carinho pudesse se concretizar, todos de dentro de seus carros observando o encontro dos nossos corpos. Todas as ruas cheias enquanto meu sentimento te inunda. Eu ignorei todas as placas de perigo e decidi ficar. Eu sei que vou me magoar, mas a dor valerá a pena se eu apenas tiver mais um pouco de você. Não repara a bagunça que deixaram aqui que eu finjo não ver essa cicatriz que você tem marcada no peito. E assim vamos deixar a chuva lavar nossas mágoas para que possamos recomeçar outra vez.

Hoje eu insistirei.

terça-feira, 12 de janeiro de 2016

Gasolina

Eu sei que fui radical. Nenhum deles tem culpa das feridas que você abriu. Só que o receio de que alguém possa me magoar, como eu achei que você nunca faria, me fez desistir. Eu não preciso desse drama na minha vida. Melhor, não preciso de ninguém me magoando. Eu preciso somente da pessoa que esqueci enquanto tentava te agradar: Eu mesma. Assumo que sou romântica, crio histórias e me afogo com meus próprios sentimentos. É a falta de sinceridade que me corta ao meio.  É o fato de não ter confiança em ninguém, decidir que poderia não valer a pena e acabar arrependida numa mesa de bar.

>> O mesmo final clichê de um filme alternativo.

Você chega, me apresenta um mundo tão divertido. Me beija ao lábios, diz poesias no meu ouvido, conhece meu corpo, segura minha mão, promete que vai ficar. Te acaricio ao cabelos, escrevo sobre teu sorriso, me perco nos seus olhos, te dou todo prazer, acredito. Você me ignora, não me procura, depois diz que a culpa é minha. Faz cena de pessoa difícil, eu faço a personagem psicótica. Me acalmo e você engrossa a voz. Não me pede desculpas e a minha ansiedade de te falar tudo o que tenho preso na garganta. Olha o que fez comigo! A culpa foi sua, eu nunca disse que ia ficar. Você entrou revirando a minha vida e decidiu sair como se tivéssemos sido nada. E fomos.

>> Então eu saio de cena, luzes se apagam e o cenário muda.

Você está feliz, há alguém mais divertida, que agora faz exatamente tudo o que disse que nunca faria comigo. Vocês estão juntos na luz do dia, eu só fui sua no escuro de um quarto de motel de uma praça qualquer. Eu sento na mesa, os lábios vermelhos e sorriso falso. Peço um copo e acendo um cigarro. Ela segura sua mão e te beija, você não se incomoda. Não diz que prefere ser discreto, não se afasta, não pede pra irem pela outra saída. Me dói de formas como eu nunca pensei que poderia doer, mas sempre disse que era forte e aguento firme. Meus amigos me dizem pra ignorar, que vou encontrar alguém melhor. E eu sei.

Não é você, não é nenhum desses que chegam e me servem de diversão por algumas horas, não é nenhum que não tenha coragem suficiente de invadir meu espaço e mergulhar no mar profundo do meu coração. Quem fica é porque tem motivos, quem vai é por ser fraco. Minha voz é doce, meu olhar distante e minha vontade de experimentar tudo que a vida pode oferecer é enorme. Não vai ser você ou qualquer outro que vai apagar o fogo que mantenho aceso no peito. Quem fica é quem tem combustível. Sou um ser em eterna combustão. 

>> Prazer, Gasolina.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

Quero começar falando sobre toda a curiosidade que você desperta em mim. Tem algo em você que me diz pra pegar a próxima saída e de uma vez por toda fugir do seus braços. Ao mesmo tempo, meu eu interno diz pra insistir, que tudo isso que eu sinto agora tem algum motivo. Eu tenho romantizado seus atos, ainda que seja algo que eu sei que não poderia fazer. Eu bato de frente com toda essa confusão e acabo escolhendo cair de cabeça nessa história. Se você não for nada do que eu esperava, ao menos vou manter nossos beijos como uma boa memória.
Sabe, eu me pego olhando nos seus olhos com uma vontade de invadir sua alma e conhecer seus segredos. Eu quero discutir sobre tudo e cair de rir quando você solta alguma piada fora de hora. Mas será que você faz isso? Eu apenas tenho pensado, imaginado e nada se concretiza. Vem aqui, senta do meu lado nessa mesa de bar e me conta seu passado. Ou não conta. Continua alimentando essa minha curiosidade. Seja esse mistério que me atiça e me faz querer ficar mais. Eu esqueci como voltar pra casa, me mostra o caminho da sua? Fala o que gosta em mim, toca onde mais te agrada. Faz algum movimento que me diga que eu posso sim ser mais do que uma diversão passageira.
Menino, como eu quero preencher teus dias com os meus sorrisos bobos e poesias melosas. Quero deitar na tua cama e só levantar quando as obrigações diárias mandarem. Eu quero tanto ser sua, mesmo sabendo que você nunca será só meu. O que me diz isso? Esse teu gosto de perigo! Mas me entrego a ele. Quero conhecer todo teu veneno, me embriagar com teu corpo e percorrer essas curvas tortuosas. Paixão avassaladora é o que você me faz querer. Incrível, eu sei. Tão pouco e já me tem de todos os jeitos.
Então agora é com você. É você quem decide se devo investir nessa história conflituosa, ou se devo fugir deixando em aberto um poema que tinha tudo pra ter um final mais interessante. Fica aqui agora, dança um bolero ou só faz essa graça que é me olhar escondido quando eu finjo que não estou vendo. Não, não foge agora. Você sabe que também te desperto essa vontade de descobrir como isso irá terminar. Então vem, traz você que o resto deixamos nas mãos do destino.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

Poderíamos ser, mas nunca fomos

Você me escreveu suas sentimentalidades. Abriu seu coração e desnudou sua alma. Achei tão bonito seu jeito de me pedir carinho, e se mostrar sensível num mundo de pessoas tão frias. Então fui, decidi tirar aquela minha casca de gelo e aceitar suas investidas. Mas de forma estranha, você sumiu. Talvez tenha gostado da minha armadura, e ficou assustado quando me viu frágil. Achou interessante esse meu jeito distante e não entendeu quando me viu te chamando pra ficar mais um pouco. Eu também não gostei.
Só que o peso da armadura triplica, fica difícil recolocar da mesma maneira e acabo criando barreira maior. Mas logo depois você voltou. Como quem não quer nada, magoado. Se interessou por outro alguém, eu entendo. Eu não me interessaria somente por mim também, não se preocupe. Pode chegar, eu sirvo bem pra curar corações partidos. Mas vai ser difícil me entregar outra vez. Você diz que tudo bem, mas não quer essa distância. Quer nossas conversas, nossos risos. A intimidade que criamos. Eu também andei por outros terrenos, posso voltar a te dar atenção. Não foi o único que errou.
Chega me dando mais carinho, faz os elogios certos. Abrindo rachaduras no gelo que reveste meu peito, mostrando todo seu calor. Eu resisto e me envolvo com outro alguém. E te conto, pra doer na sua carne o quanto doeu pra mim aquela outra vez. Eu não te contei, mas sou vingativa. Acontece. Você não gostou, ficou magoado. Falou demais, atacou e disse que não sabia mais o que fazer. Então decidi te contar que doeu te mostrar meu interior e ver você se interessando por outro alguém. Depois doeu ter servido pra ouvir sua dor, secar suas lágrimas e te oferecer um colo. Você me pede desculpas, não sabia que eu tinha aberto uma fenda no meu peito que deixou você bagunçar tudo. Vamos ficar bem?
E eu me permito outra vez retirar o casaco de metal que uso para que sorrisos como o seu não perfurem meu coração. Logo depois você aparece em vídeo, com aquele cigarro no canto da boca e aqueles lábios que foram desenhados pros meus. Fui atingida outra vez. Fraca. Fraca. Isso que eu repito algumas vezes enquanto você me faz seu brinquedo favorito. Tem meus beijos, tem meu carinho, percebe minha vontade de te fazer ficar. Mas nunca fica. Aqui não é lugar de pouso. Apenas um lugar de emergência pra decolar, depois que alguma viagem não deu certo. Joga as suas bagagens emocionais e segue a vida, deixando todo o peso e amargura. Volta pro céu. Você e seu sorriso de lábios desenhados, eu e essa armadura pesada. Quem sabe um dia você não se decide e fica.