sábado, 25 de abril de 2015

Carta ao Amor da Minha Vida

Querido amor da minha vida, decidi te escrever pois depois de várias decepções acho que você deveria chegar sabendo algumas coisas sobre mim. Sabe, meu bem, você não precisa chegar logo não. Pode demorar mais um pouco, pode se perder em outros braços, pode criar mais experiência. Eu não vou me importar quando você finalmente chegar, e juro que não tenho ciúmes do que houve antes de mim. Mas peço que, no momento certo, você apareça. Vou estar te esperando, provavelmente de batom vermelho e vestido rodado. Vai me ver muito assim ainda e espero que me ache cada vez mais bonita mesmo repetindo o mesmo modelito.
Espero que você tenha marcado na sua agenda algum dia da semana em que vamos fazer algo só nosso. Ainda não sei qual será nossa coisa em comum. Gosto de cinema, pizza, cerveja e sinuca. Gosto de muitas coisas e espero que tenhamos gostos parecidos. Não iguais, por favor. Não venha igual a mim, não seja uma cópia masculina minha. Me recuso a aceitar que você seja assim. Acredito que você será meu oposto, que vai me apresentar músicas, restaurantes e vamos a lugares que nunca imaginei que iria. Quero conhecer o mundo do seu lado, e se o seu mundo for diferente do meu, já é um passo enorme.
Lembre de mim ao ouvir canções e me diga quais são elas. Eu sou muito romântica por baixo de toda a casca grossa e você vai adorar isso, eu juro. Vou te deixar bilhetes escondidos pra você lembrar de mim quando não estiver por perto, vou te enviar cartas. Sim, cartas escritas a mão, e vou te transformar em prosa. Vou falar sobre o teu sorriso, teu olhar, tua maneira de andar e como segura a minha mão. Eu sei que parece estranho se tornar a inspiração de alguém, então você pode se assustar um pouco. Até porque, você vai demorar pra descobrir que escrevo, até eu ter confiança em te mostrar a minha letra. Mas quando isso acontecer, me leia. Saiba que eu escrevo o que não consigo dizer, saiba que lendo você vai conhecer a minha alma e como você será o amor da minha vida, é de extrema importância que você goste do que lerá.
Tenho amigas que são muito importantes na minha vida e elas saberão tudo sobre nós. Qualquer briga, qualquer conversa mais romântica ou o que for, eu corro pra elas. Elas nunca vão ficar entre nós pois sei que elas verão o quanto você estará me fazendo feliz, não se preocupe. Mas as respeite. Respeite nosso espaço e respeite quando eu estiver com elas. Assim como vou querer conhecer todos os seus amigos e vou respeitar o tempo de vocês. Não sei se vocês vão jogar bola ou assistir algum jogo, não se preocupe com o que vocês vão falar na mesa. Eu não me importo. Só volte pros meus braços feliz que tudo fica bem, esqueço seu atraso e esse cheiro de cerveja barata. Provavelmente voltarei com o mesmo cheiro e também atrasada. Somos mais parecidos do que você imagina hoje.
Meu bem, quero casar. De branco. Não precisa ser necessariamente na igreja, mas entenda esse meu sonho. Vou querer que você participe, dê sua opinião, espero que goste de bolo de chocolate e odeie bem casados. Vou entrar com os meus pais. Os dois. Não conseguiria deixar minha mãe fora da minha entrada. Por acaso, espero que você se dê muito bem com eles. Pode discordar, eu discordo o tempo todo. Mas os aproxime ao invés de evitar. Por mim?
Me dê flores, sem motivos, em dias aleatórios, não precisa ser rosas. Gosto de girassóis, lírios e até de flores roubadas de calçadas. Me beije, o tempo todo, com carinho e com tesão. Não deixe o tempo transformar beijos apaixonados em selinhos frescos. Dance comigo, mesmo que seja forró ou samba, mesmo que seja uma música que você nunca ouviu. Me acompanhe, não quero ser a única bobs que dança sozinha no salão. Beba vinho comigo em taças, enquanto preparo nosso almoço. Pode me dizer que fico sofisticada mesmo estando de pijama e cabelo preso, segurando uma taça. Faça piadas, sorria com esse seu sorriso que iluminará todo nosso apartamento.
Ou não precisa fazer nada disso. Não siga nenhuma cartilha de amor perfeito. Não siga nenhuma regra de relacionamentos. Só seja você que eu sei que me fará sentir o que eu nunca senti antes e me fará o mais feliz possível.
Com amor,
Sua futura.

quarta-feira, 22 de abril de 2015

Infinitos

Parecia ser um dia como todos os outros dias que aconteceram depois da sua partida: Tristes, vazios e cinzas. Já faz algum tempo que o Sol se pôs e nunca mais voltou a aparecer. Mas ninguém parece perceber, alguém disse que só eu não o tenho visto e que em algum momento ele voltaria a brilhar. Já passou um mês desde o sumiço do centro do meu universo. Algum cientista mais experiente nas artes do amor consegue explicar porque ele está fora da minha órbita? Mas não há explicação.
Nando falava sobre o surgimento de um segundo, que realinharia tudo e eu vou começar a acreditar nisso. Talvez você não tenha percebido, meu bem, mas não importa se não há claridade, esperança ou certeza, eu não consigo parar de acreditar na força maior do universo, o amor. E vou continuar acreditando e me arrependendo, e quebrando a cara, dizendo que estou desacreditada e que morrerei solitária e cercada por gatos. Mas no fundo, ainda possuirei a certeza de um sentimento que consegue esmagar todos os meus órgãos e transforma as batidas do coração em um ritmo frenético, assim como arrepia todos os pelos do corpo com apenas um toque. Eu acredito nesse sentimento puro e belo e em todas as coisas lindas que envolvem essa palavra profanada.
Vou continuar na espera de declarações apaixonadas e inesperadas, em lágrimas de alegria, emoções em todas as primeiras vezes, em guardar datas, abraçar quando o mundo está desabando, dividir o guarda-chuva. Dividir o último pedaço de bolo. Dividir a tristeza e pedir colo. Dividir a cerveja gelada no fim do domingo como uma forma de evitar o começo da semana. Dividir os sonhos e fazer novos, juntos. Dividir o chuveiro, após uma invasão pois a vontade era absurda só por olhar teu corpo.
Pra mim, esse amor que ainda não chegou, não trata de unificar duas almas, mas aprender exatamente a doar-se para aquele que agora ocupa o meu lado no ônibus, no carro, na cama, na chuva ou na casinha de sapê. E o aguardo, mantendo a certeza de que existe sim. E que vai chegar invadindo todos os espaços que você deixou vazio. E não vou desistir porque meus exemplos de amor não são os melhores, não vou desistir porque acho que não levo jeito, não vou desistir por medo ou por ser alguém que não agrada algumas pessoas. Na verdade, darei motivos e lutarei para todos verem que quando há amor, não importa as diferenças, as brigas que poderíamos comprar, a presença desta pessoa é a certeza de felicidade no fim do dia. E que essa pessoa vai iluminar a minha estrada quando o mundo parecer mais sombrio do que realmente é.
Uma pena que o seu sol partiu e seguiu para outros universos. Uma pena que houve explosão e ninguém ouviu o barulho pelo espaço. Uma pena você ter jogado seus sentimentos pelo buraco negro. Poderíamos ter sido um infinito muito bonito.

Conselho

Querida amiga, eu sei que você me olha dessa maneira meio desconfiada e achando que é uma tentativa de receber elogios quando te digo que sei que não sou interessante, ou qualquer outra resposta as suas dúzias de pergunta sobre tentativas de aproximação do sexo oposto. Insisto e persisto quando você não admite que eu fale os motivos pelo qual essa aproximação não ocorre. Fala que não vai me responder, que sou dramática e, ás vezes, que está cansada demais para o meu drama feminino. Pois bem, ao menos uma vez me olhe sem esses seus olhos de proteção, de afeto. Lembre de todas as loucuras que você ouviu e presenciou, de todas as vezes que pensou "não acredito nisso" quando alguma historia minha foi citada. Retire esse óculos embaçado de beleza rebuscada, e me veja de verdade. Sem isso de "legal" ou "divertida". Esses adjetivos que damos para pessoas que sabemos que não há beleza estonteante mas que buscamos uma tentativa de elogio. Eu sei, eu sou amiga de outras pessoas, já usei essas táticas também.
Eu não sou a primeira opção de ninguém. Minha beleza não enche os olhos da fileira de homens disponíveis no mercado. Não tenho aquela jogada de cabelo sensual, aquela risada meio tímida ou o corpo escultural. Não ando como o balanço das ondas ou tenho a delicadeza de uma pena. Sou aberta, sou escrachada, sou teimosa e desequilibrada. Qualquer tentativa de sensualidade provavelmente me levará a algum tombo, torção ou apenas derrubar tudo que estiver na minha frente. Minhas curvas não ficam bem em quase nenhuma roupa e, sejamos sinceros, há mais curvas do que seria desejável. Eu tive paralisia facial e por isso um lado do meu sorriso puxa mais que o outro. Tenho dores no joelho e por isso evito o salto alto. Falo demais, penso demais e sou péssima demonstrando interesse. Sinto como se estivesse vivendo num mundo onde quando me interesso por alguém, todas as outras pessoas que também estão interessadas pelo mesmo são cópias de modelos da Victoria Secret's.
Então, não me olhe com pena. Não diga de uma beleza que sabemos que não existe. Sou jeitosinha, vez em quando me arrumo bem, sei me maquiar impecavelmente e até tenho algo que possa chamar a atenção. Mas essa mesma atenção se esvai após alguns minutos de conversa. Não sou interessante, dá pra perceber. Meus assuntos não são os melhores, entedio qualquer companhia em pouquíssimo tempo e enquanto você seduz de forma misteriosa, quando vejo, eu já me entreguei de bandejo pra pessoa em questão. Não existe ainda alguém no meu mundo que queira saber o que esse meu sorriso torto e essa alma sofrida podem oferecer quando há tantos outros sorrisos mais retos e almas sem marcas para se aventurar. Sou só diversão, ótima amiga e companhia de bebidas. O mesmo que sou pra você, sou pra qualquer outro no mundo. É a vida. Eu já me acostumei. Acostume-se também

sábado, 11 de abril de 2015

Adeus, você.

Eu te dei todos os motivos pra você ficar. Falei que haveriam dias nublados, mas tinha a certeza que teu sol iluminaria nossa caminhada. Te mostrei a menina inocente e pura que acredita em amor e você conheceu a mulher que te daria todo o prazer. Conheci seus gostos, invadi seu mundo, me encaixei nas suas musicas favoritas, pra ver se assim eu conseguia pegar um lugar do seu lado que sempre pareceu tão disputado. Listei minhas qualidades, escondi minhas loucuras e torci pra que o destino conspirasse. Nada adiantou.
Fui sincera, abri o jogo, te contei meus sonhos. Fiz um futuro pra nós dois sem o seu consentimento. Criei diálogos a cada silêncio seu e romantizei seu sumiço. Acreditei firmemente que quando duas pessoas estão destinadas a ficar juntas, o universo dava seu jeito. E então achei que o problema não era nós, era eu. E joguei toda a culpa sobre mim, mesmo tendo cometido apenas o crime de me apaixonar por você. Mas aceitei a sentença e não percebia que era o meu sentimento que estava indo para o corredor da morte.
Eu não consegui te dar razões para permanecer e talvez, com minhas atitudes impensadas na tentativa de te manter por perto, só tenha te afastado mais. E aos poucos fui te deixando ir. Achei que você ia sentir minha falta, que a sua decisão surgiria durante minha ausência e seria a favor de nós. Mas finalmente percebi que não haverá um nós, algum futuro, um encontro místico de duas almas que poderiam ser mais do nunca foram. Então, meu bem, não se preocupe, não se culpe ou pense no meu sofrimento. Dê seu último tiro de misericórdia e vá em paz. Se o seu medo era ir, perca seu medo ao menos uma vez e vá. Não há como ferir um vidro quando ele já está em cacos. Ficarão as boas lembranças e nenhuma dor. Voltaremos a ser o que antes éramos e não nos permitiremos pensar no que não chegamos a ser.
Adeus, meu futuro. Olá, querido do passado.

sábado, 4 de abril de 2015

Mea culpa.

Eu nunca me apaixonei rápido, o que pode ser bem contraditório a minha facilidade em escrever sobre romances. Mas nunca aconteceu. Ou melhor, nunca tinha acontecido. Eu sou alguém que acredita em romances, em amor verdadeiro, mas que sempre teve dificuldade de expressar ou de sentir essas coisas por outras pessoas. Quando você foi muito magoado, dificilmente quer passar por todos aqueles momentos chatos de início de paixão. Então fica com alguém, tenta fugir quando percebe que pode ter sentimentos surgindo e acaba ficando por costume. Uma hora o amor vem e pronto, relacionamento.
Por isso foi sempre tão fácil partir pra outra. Ir em festas, conhecer novas pessoas quando esses relacionamentos acabavam. E quando eu era magoada, mostrar que estava bem pra caramba, saindo muito, era a minha autodefesa. Somos imaturos pra caramba. Quando alguém nos magoa, queremos atacar essa pessoa ao invés de sentar e refletir sobre e deixar pra lá. Machucou, doeu, a chuva vai chegar e vai levar isso embora também.
Só que dessa vez tudo sucedeu de uma forma inexplicável. Eu tava por ali, querendo me divertir, e não teve escapatória: O cupido me acertou de vez. Durante um beijo. Isso é muito loucura pro meu coração que andava acostumado com racionalidades. E coloquei todas as minhas expectativas porque parecia que alguém tinha lido todos os meus desejos mais profundos e colocados em forma física (e que forma!). Não era possível um encaixe tão certo, um beijo que foi feito sobre medida, o sorriso e o olhar, os desejos pro futuro, sonhos pra vida. Tudo ali batia certinho. E lá fui eu deixando meu coração pegar um caminho que ele não conhecia direito.
Óbvio que se perdeu.
Então, meu bem, te devo um pedido público de desculpas. Por ter jogado em cima de você uma neurótica que caiu no poço da paixão que ela nunca havia frequentado antes. Possuo sim uma armadura que deixei encostada desde aquele toque porque, por algum motivo que talvez só Eros saiba, achei que poderíamos ser algo mais. E assustei você. Me assustei também. Quis você, quis seu sobrenome, quis casamento na praia, viajar pro Peru, mesmo eu preferindo europa e festas no campo. Mas dizem que sentimentos fazem isso, você dá o seu melhor na esperança do pior passar despercebido. Mas não passou pra você. O que eu entendo, eu também não deixaria passar mas você não tem pior, é sempre maravilhoso.
Viu como paixão muda as coisas? Antes eu ia fazer qualquer coisa pra afetar, agora só fico esperando a sua volta, a sua decisão. Não me interessa mostrar que estou bem quando você sabe que não estou. Mas não me interessa fazer a sofrida porque mantenho sua lembrança e como isso me faz bem!
Então me desculpa por eu ser tão ansiosa, nervosa e falar pelos cotovelos. Desculpa não te dar esse tempo que você diz estar precisando. Desculpa não ter ido com calma e ter te desejado até os 60 anos. Desculpa ter te colocado no meu futuro quando ainda estávamos escrevendo o nosso presente. Desculpa ter me aconchegado no teu peito e ser doloroso demais ficar longe. Desculpa ter tirado fotos, e ter sido estupida por postar online. Talvez tenha sido uma forma de provar que você era real e não só uma fantasia criada pela minha mente criativa. Desculpa não conseguir falar o que me incomoda por achar que eu estou te incomodando e acabar desabafando virtualmente. Desculpa ter sido tão intensa, desculpa te querer tão apaixonadamente, desculpa te mostrar um sentimento que eu nunca havia conhecido.
Eu queria você, e por querer demais, perdi.

quarta-feira, 1 de abril de 2015

Vicioso.

Eu nunca me droguei. Não me interesso ou aceito convites de estranhos. Não gosto de beber em lugares abertos porque tenho medo. Ou cuidado. Não sei bem o que é. Sempre fui bem cuidadosa. Mas dessa vez, a única coisa que fiz foi me apaixonar. E olha o precipício pro qual a vida me empurrou. Perdi todos os meus sentidos e direções. Qual o melhor caminho pra sair daqui mesmo? Já que eu consigo me apaixonar todos os dias por ele, essa dose que quase me arranca os pulmões de tão forte, vai acontecer? Será que esses dias sem ele e eu me embriagando são sintomas de que sou viciada e estou apenas substituindo os beijos dele por uma droga a qual tenho acesso?
Sentimentos são tiros que conseguem ultrapassar qualquer blindagem, Zé. Eu disse que não ia mais cair nesse jogo. Que não ia me apegar a aquele olhar e o sentimento de proteção que só ele me passa. E estou aqui, deitada nesse chão tão frio quanto as respostas de "quando você volta?" que ele me dá. Seria mais fácil estar usando cola. Se tirassem a garrafa com o líquido, eu não estaria tão amargurada e tentando entender de todos os jeitos o que eu fiz pra ficar sem ele, Zé. Me diz qual é a dose necessária de absinto que me fará esquecer aquele sorriso que eu tomo.
Estou embriagada, alucinada e dopada. Procuro alguma reabilitação pra corações estraçalhados por carinhos maravilhosos. Você tem algum tarja preta que apague esse sentimento? Existe algum tratamento alternativo pra esses sintomas de amor que já começaram a surgir? Estou há 19 dias sem aquele corpo e estou tendo reações inimagináveis pra essa abstinência. Já te contei, Zé, que estou dormindo todos os momentos que tenho oportunidade só pra encontrá-lo nos meus sonhos? Que perdi meu medo de mostrar meus textos e até o enviei por correios tudo que escrevi sobre ele pra ver se ainda existe algum fio de esperança nesse nosso amor? Olha eu falando de amor de novo, Zé. Eu não sei nem se ainda existe folhas pra continuar escrevendo nossa história ou se ele ja virou a página e meu coração quer me empurrar pra esse sentimento mais profundo e que eu preciso de uma dose mais forte dessa substância lícita a qual chamo de "meu bem".
Me coloca num daqueles quartos brancos e acolchoados, Zé. Me prende lá e pede pros médicos me deixarem sem notícias dele. Diz que a minha internação é voluntária. Ou me deixa aqui enlouquecer você e todos os meus outros amigos, com essa história que ninguém entendeu como começou e porque parou. Me deixa lotar meu celular com notas sobre a falta que ele me faz. Me deixa fingir que estou bem, quando levantar e ir viver se tornou um peso sem o "bom dia, linda" dele. Sim, como esses pequenos elogios me fazem falta. Como essas pequenas coisas eram tão grandes pra mim e traziam sorrisos a cada vez que o nome dele aparecia nas notificações.
Então, Zé. Me deixa permanecer aqui apaixonada. Nesse estágio de aceitação do meu vício. Um dia, eu procuro tratamento ou me entrego por inteira e vou morar debaixo da coberta dele quando ele me aceitar de volta. É bem difícil, Zé. Mas ele é a coisa mais linda que já me aconteceu.

Produto Final.

Eu entendo todos eles. Eu entenderia se eu me interessasse por mim também, mas faço o mesmo que eles fazem: Desisto de mim. Porque eu sou bem complicada, estressada e neurótica. Eu tenho a maior paciência do mundo, vou aceitar todos os seus erros, eu juro, mas me dê muito carinho em troca. Quando isso não acontece, fico louca, quero entender o que está acontecendo. Já deixou de me querer? E afasto qualquer pessoa que tenha tido um pequeno interesse momentâneo.
Não tenta me levar, não. Sei que se interessou pela embalagem. Sou até bem direita, mas o produto final é uma porcaria. Você vai querer jogar fora no primeiro defeito, então não tenta. Melhor mesmo ficar só nesses flertes, nessas conversas esperançosas. Não tem muita decepção, e eu não vou ficar chorando pelos cantos.
Talvez eu não sirva para o final do livro. Sou aquela história que fica ali no meio, que você nem dá mais tanta importância porque realmente não foi grande coisa. Te deu uns sorrisos, você me deu inspirações e apenas estragamos algumas músicas por lembrarmos um do outro. Coisas melhores vão aparecer. Sempre aparecerem pra aqueles que tentaram, eu sei. Vai aparecer pra você, pro próximo, pra aquele cara que me achou jeitosinha. Sou só uma fase. Vai ser fácil pra você. Pode seguir.

Se apegue.

Não me afaste assim. Não tente agir como se tudo o que tivemos tenha ido embora, se apagado. Não finja que nosso amor está acabado. Não me diga que revirei meu mundo, me encantei, pra você desaparecer como poeira. Eu não quero saber sobre irmos com calma, sobre essa espera que nunca acaba. Precisamos conversar.
Segura minha mão, me diz que sou tua, que você não quer ir. Que mesmo que a chuva acabe agora, você vai ficar até o dia amanhecer do meu lado. Não me solta, não me perde. Eu posso ir embora junto com o vento só que dessa vez eu quero ficar.
Havia um espaço no meu coração que ficava bem entre a felicidade e os meus sonhos e adivinha: Esse espaço era exatamente do tamanho do meu sentimento por você. Você é peça importante nesse quebra cabeças que a vida pode ser. Onde eu posso até ter tentado encaixar em outras partes, você também. Mas o destino nos juntou e dói bastante a gente se separar.
Quero bater de frente, lutar se for necessário, mas usar todas as forças pra você continuar aqui. Então não adianta nada você fingir que nunca houve um nós. Não adianta colocar colete, fingir que estamos distantes, quando eu tenho certeza que ao deitar no seu travesseiro ainda sente meu cheiro. Talvez até consiga lembrar do meu corpo junto ao teu. Dos dias ajeitando o lençol que te incomoda, daquela noite que dormimos agarrados, das tardes namorando enquanto o mundo acabava em chuva do lado de fora. Não me empurra pra longe das tuas memórias.
Se apegue a elas. Segura cada uma dessas lembranças, e aperta e diz que vai ficar, que sem meu sorriso tuas tardes já não são mais as mesmas. Que jogar tua perna sobre o vazio não é a mesma coisa do que se enroscar no meu corpo pra dormir. Eu vou continuar fazendo tudo o que você gosta porque eu nunca fiz só pra te conquistar. Era a minha maneira de dizer obrigado por me fazer tão feliz. Então, suas tentativas de distância estão furadas. E se eu fosse você, voltava logo pros meus braços.