sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

30 segundos.

30 segundos. Exatamente esta contagem de tempo. Foram exatamente míseros 30 segundos que levaram meu coração para longe, explodindo e virando borboletas no estômago. Mas ainda não sei se isto ocorreu quando seus olhos encontraram os meus, ou se foi o seu sorriso após um elogio. Talvez possa ter sido enquanto a chuva caía e eu tentava me proteger, mas você me puxou para que a água estragasse meu cabelo e maquiagem, me vendo nua de vaidades. E tudo que eu ouvia não eram os passos úmidos, ou então os carros buzinando, só os seus elogios formando uma aura mágica, longe de todos esses problemas que fingimos ignorar.
Talvez tenha acontecido naquela vez do cinema, quando você levantou o braço da cadeira, me puxou pra perto e disse, soando como a mais bela canção, "quero ficar assim para sempre, grudado em você". Você sempre usa as frases mais clichês, e eu sorrio por adorar ouvir de seus lábios as frases que eu tanto maldizia por aí.
Mas ainda acho que pode ter acontecido enquanto eu usava fones de ouvido, e você me olhou. Fingi que não percebia seu olhar, fingia que a música era minha única companheira naquele momento. E você me beijou, interrompendo meus pensamentos, interrompendo a melhor parte da canção. E, pela primeira vez, não me irritei com esta interrupção. Na verdade, as borboletas fizeram a dança mais acrobática e digna de premiações dentro deste estômago boboca. Na mesma sincronia das batidas exageradas de meu coração.
30 segundos. Como tão pouco tempo pode acarretar esta grande descarga elétrica de sensações antes adormecidas? 30 segundos...