sábado, 27 de agosto de 2016

Olha, eu bebi seis litros de cerveja. E isso, pra mim, não è nada. Outros estariam ligando pros seus ex desesperados, dizendo que querem voltar. Jogados num canto de um bar qualquer, dizendo que cansaram do amor. E eu to aqui, sem a ajuda do álcool (ok, ele pode ter ajudado um pouco) só pra dizer que gosto de você. Não foi difícil, nem doeu. To ótima aqui. Não é loucura de gente bêbada, veja bem. O que eu faço é só vomitar. Limpar meus fluídos é muito mais digno do que jogar fora meu orgulho. E você sabe que já deixei explícito seja 05 da manhã, 01 da tarde ou às 22 de uma sexta a noite. Enquanto todos estavam em braços desconhecidos, eu não queria nem me aproximar de seres humanos levemente atraentes. Você não me pediu exclusividade ou monogamia, mas sou sua já vou deixando bem claro. E por isso, quero só você. Não me interessa o ruivo irlandês barbudo que queria ms conhecer, ou o menino do outro departamento da empresa que tira o ar das minhas amigas ao passar. Muito menos o meu cantor favorito, nem a suposta garota dos meus sonhos (por que não?). Eu quero você. Lê três ou sete vezes se for necessário. Você. Tá escrito teu nome bem na minha testa ou seria na cara apaixonada que fico quando teu nome surge na tela do meu celular?
Sei lá, achei que seria bom te dizer que um mês depois de tudo começar e parecer que aprendi a beijar beijando você porque sua boca encaixa perfeitamente na minha. É bom escutar numa sexta, de lua minguante, que alguém tem um sentimento crescente por você. É isso.

domingo, 17 de julho de 2016

A flor mais bonita do jardim

Você me falou sobre a cor lilás da flor mais bonita do jardim do seu sítio. Eu imaginei cada detalhe da flor, e me levei diretamente pra sua infância. Eu ouvi suas palavras, a forma como descrevia os detalhes daquele dia fatídico que começou com a flor mais bonita do jardim e terminou com você levando 3 pontos na testa. E eu entendi que quando você quer muito algo, você se arrisca. Te disseram pra não subir naquele balanço de corda preso na árvore, mas você decidiu que deveria escalar pra conseguir ver de perto os detalhes da flor que era a mais bonita do jardim. Foi subindo e se balançando aos poucos. Sentiu medo algumas vezes, mas medo de altura é super normal pra uma criança de 8 anos. E me contou isso nervoso, como se estivesse experimentando aquela sensação outra vez. Quando alcançou o galho e pode ver de cima a flor mais bonita do jardim, o lilás se tornou a sua cor favorita pelos próximos 5 minutos. A observou com toda a delicadeza, e sentiu vontade de levar suas mãos e encostar naquilo que parecia ser a beleza única de toda a natureza. Puxou delicadamente a florzinha que agora não era mais tão grande quanto imaginava. E desequilibrou. Caiu de testa no chão, mas sua flor permaneceu intacta porque conseguiu protegê-la enquanto voava direto pro terreno. A gente protege o que se admira, tem até uma música que fala sobre gostar e cuidar, né?
É.
Então voltou seus olhos pra mim, e disse que quando conseguiu entender que havia caído e estava sentindo dor, você não gritou. Você voltou seus olhos pra flor mais linda do jardim, e percebeu que não era lilás a sua cor favorita. A sua cor favorita era o vermelho do seu sangue sobre o lilás daquela flor que hoje você nem acha mais tão bonita assim. Culpa a dor que sentiu pela diminuição da apreciação. Quando a gente sente dor, o sentimento diminui, sabe?
Sei.
Encostou suas mãos na minha e disse que o vermelho do meu cabelo foi a certeza que te fez ficar. Eu tinha tantas qualidades pra te oferecer e você ficou com medo de ir atrás disso, e acabar com 3 pontos multiplicados por não-sei-quanto, só que no coração. Mas quando abriu os olhos depois daquela nossa noite, a sua cor favorita era o vermelho dos meus cabelos encostados no teu peito. E foi a coisa mais linda que já me disseram. Eu segurei as lágrimas, enquanto você fingia não reparar que havia quebrado a camada mais dura do meu coração. Quando deslizou seus dedos tirando a minha blusa, viu a tatuagem de rosa e percebeu que eu era a flor no alto do jardim que você precisava arriscar. Tudo bem se doer, eu vou cuidar. Você decidiu que não queria me arrancar do alto do jardim, que eu estava exatamente onde deveria estar. Eu sou a flor mais bonita do meu jardim, e você aquele que me faz desabrochar.

Retorna

Você se lembra daquela vez que seu celular parou de funcionar e eu fiquei esperando a sua resposta por dias? Então apaguei seu número e decidi que não ia mais investir, que ia sair, beber e esquecer que estava começando a me apaixonar pelos teus olhos tão lindos. Você surgiu quase uma semana depois, me pedindo mil desculpas e eu duvidei de cada palavra sua. Fingi que não havia me importado, que não estava esperando, que tinha esquecido o que falávamos. E a minha frieza fez com que você também decidisse que não tinha mais porque me encontrar. Dois bobos.
Eu passei todos os 34 dias que passamos separados pensando em alguma forma de te trazer pra minha vida outra vez. Eu tinha prometido e jurado que não te queria mais. Eram muitas diferenças de opinião, eu era tão liberta e você tão conservador. Futebol, religião, política e distância. Tantos fatores me levando pra longe e eu só te queria por perto mais uma vez.
Mandei aquela mensagem com o coração na mão, e os olhos nervosos. Escrevi algumas centenas de vezes o melhor "olá" que conseguia pensar. Como te dizer que fui estúpida? Como te dizer que eu deveria ter te entendido e que conseguia passar por cima das nossas diferenças porque o seu beijo tem o gosto do meu querer? Depois de ter largado o celular e desligado a internet algumas vezes, tentando fugir dessa vontade de te procurar, finalmente enviei o que achei melhor. Corri pra debaixo do cobertor e fiquei olhando fixamente o teto. O que eu estava fazendo? E se você já estivesse com outra pessoa? E se terminar aquele romance que estava no começo, porque eu queria mesmo era você, foi outra atitude impensada? Traz teu sorriso de bom moço que eu esqueço tudo o que aconteceu.
E você trouxe. Em emojis e em bares. Me pegou pela mão, me levou pra dançar, tirou meu vestido e me fez sua. Sentou do meu lado, riu da nossa falta de diálogo, me pediu pra não bancar a princesa de gelo e acariciou meu rosto. Escolheu a cerveja que me agrada, acendeu um cigarro e levou meu coração pelas ruas da Lapa. Colocou os óculos na mesa e me apresentou outra vez aqueles olhos castanhos que brilham com a intensidade das estrelas. Contou uma piadinha, implicou com a minha posição política e me beijou a boca.
Olá! Será que esse lugar reservado no teu coração já tem nome na lista, ou eu posso colocar o meu? Se fechar até ás 17h, eu ainda tenho tempo. Se já estiver fechado, avisa que ninguém vai vir mais e eu sou a primeira da fila. Espero que essa mensagem não chegue atrasada que nem a última que enviei, e que a internet colabore, e que seu celular continue funcionando, e que não haja mais nenhum imprevisto. Eu vou ficar aqui e arrumar um tempo no meu dia, pegar cinco ônibus se for necessário, e deixar a rixa dos nossos times lá fora. Ainda quero conhecer sua história, falar sobre primeiras vezes e fingir que serei sua última. Me beija a boca quando fico nervosa, não me deixa falar demais pois assim posso estragar tudo. Fica aqui que vai começar a chover daqui a pouco, e o teu abraço tem cheiro de proteção.

quarta-feira, 1 de junho de 2016

Vazios

Não estou pedindo seu afastamento. Vamos apenas manter espaços. O espaço da minha vida e continua em minhas mãos. O coração deixo para você. Mas não esqueça que quem manda em tudo é apenas meus cérebro totalmente racional, que ignora todas as suas tentativas frustradas de aproximação. Mantenha-se distante. Aconselharia uns 300 metros, mas ainda não produzem ordem judicial para casos como o nosso. Coisa de pele, você diria. 
Deixo o sabor do meu sorvete favorito para você, assim como deixo nossa canção também. Uma hora o sorvete ou a música podem funcionar com outra pessoa, comigo só piora a situação. Fingiremos sutilezas quando, na verdade, queimamos em chamas por dentro. Mas manteremos a classe. Somos apenas dois seres humanos, cheios de sentimentos, ressentimentos, medos, ânsias e sonhos que se encontraram, apaixonaram-se e agora tornaram o sentimento imortalizado em forma de estrela. 
Agradeço seu telefonema, agradeço a tarde maravilhosa que passamos juntos, agradeço sua dedicação em tentar me deixar confortável como toda a situação complicada. Agradeço também o fato de ter me deixado comer metade das suas batatas apenas para me ver sorrir. Tem tanta coisa doce e satisfatória em você que me recuso a tentar entender porque não demos certo. Obrigado pelo álcool compartilhado e os cigarros que fumamos durante tantas horas de conversa, meu fígado e pulmão realmente não me são mais importantes perante esta nova fase.
Mas se ainda não tiver jeito e a vontade de ficar permanecer e se tornar mais forte do que a vontade de descobrir novos continentes, me deixa permanecer no espaço do teu peitoral, que tanto me abriga bem. Só não deixa o espaço entre minha loucura e desfuncionalidade, vazio. Porque, ainda que não pareça, sou tão cheia de vazios incertos que a minha debilidade deveria ser atestada. E minha certeza, contestada.

domingo, 8 de maio de 2016

Através do espelho

Você joga o cabelo e fala de amor com uma personagem de filme alternativo. Segura o cigarro, e o traga de olhos fechados. Sorri de canto, checa o celular e suspira incomodada. Te chamam de coração de gelo, duvidam quando se diz apaixonada e riem das experiências sofridas que já teve. Eu vejo a dor atravessar seu corpo, como um feixe de luz branca. Toda vez que vou de encontro ao espelho, ali está você. Dolorida, com a ansiedade lhe roendo os ossos. Ignoro os sinais e te afundo nesse amontoado de mágoas passadas. Você é uma criança com medo do escuro e eu sou a adulta que acha que tudo isso é pura besteira. Amanhã quando se levantar, talvez sinta o mesmo. Só que o hoje é o amanhã de ontem e ainda sim você reluta. Tem muita dor no teu peito, tem uma carência sufocante e um amor tão bonito que nunca será entregue. Isso é o que concordamos. Eu era sua esperança e rasguei todas as bandeiras verdes. Aqui não há futuro pra essa romântica que se envolve com quem lhe dá o mínimo de atenção. Já te contei que abraços no meio da madrugada ou mãos dadas em ruas movimentadas não significam amor. Então limpa esse olho borrado, repassa o batom vermelho e vê se usa um cimento de boa procedência nesse teu coração de pedra. 

sexta-feira, 1 de abril de 2016

Timing

Eu vivo com o constante medo de que você já surgiu na minha vida e eu estava focada em outra pessoa. Tenho a impressão de que você estava naquela festa que todos os meus amigos foram, mas eu preferi ficar em casa com as minhas séries. Talvez eu conheça seu melhor amigo (e odeie), talvez você já tenha visto a minha melhor amiga (e foi afim dela). A estação onde pego o metrô pro trabalho, é seu ponto final. Nós frequentamos os mesmos bares, em dias alternados. Você estava naquela balada que eu cheguei ás 3 da manhã, e foi embora meia-noite porque estava com dor de cabeça. A sua ex fez um vídeo romântico no aniversário de namoro dos dois com a música que me faz lembrar do relacionamento abusivo que tive. Odiamos essa mesma melodia por motivos diferentes. Você entrou na cafeteria pra me procurar, querendo criar um tipo de cenário romântico clichê pra sua próxima conquista, e eu tinha ido embora pois o sistema de cartão estava fora do ar. Eu estava bem ali, entende? Perto dos seus olhos, longe das suas mãos. Faltou o timing. Sempre houveram desvios do destino. Talvez se eu não tivesse esperado meu ônibus por uma hora e vinte sete minutos. Talvez se eu tivesse seguido a minha vontade e feito algo diferente naquela noite onde você havia decidido se arriscar também. Talvez se eu não estivesse sempre sem sorrisos e ignorando todos enquanto danço. Talvez se eu não tivesse namorado um canalha. Talvez se você tivesse ido tatuar no mesmo dia que eu. Talvez eu tenha perdido tanto tempo desejando que você fosse outro alguém que nosso tempo passou e nem nos conhecemos. Ou talvez você esteja por aí, pronto pra pegar o caminho errado e finalmente cair na minha vida.

quinta-feira, 24 de março de 2016

Deserto K


Eu jurava que iria chover no dia que nos encontramos pela última vez. Como se a natureza estivesse limpando seus rastros da minha alma. Nunca mais houve uma gota d'água caindo do céu, e agora estamos presos nesse verão que secou todas as minhas lágrimas. Você se lembra do dia que me beijou em meio a praça, como se mais ninguém existisse nas nossas vidas? Eu me pego imaginando o que teria acontecido se fosse mais fraca. Fui embora sem olhar pra trás, com todos os meus sentimentos conturbados, sem palavras que pudessem te dizer o que aquilo que significou pra mim. Eu vi uma chama de esperança acender toda a lareira que a sua frieza havia apagado. Somos um erro climático.
Mas quando toca aquela música, quando eu pego aquele ônibus, quando tudo volta a tona, eu perco a razão. Eu descubro que ainda sinto, sinto muito. Essa noite sonhei que estávamos dormindo juntos. Você se mexia muito, respiração pesada. Coloquei minha mão no seu rosto e aconcheguei sua cabeça no meu peito. Eu entoava baixo algo que entendi como "você ainda está aqui". Não eu. Você. Impedindo que meu coração siga outros caminhos. Aumentando minha ansiedade. Cortando meus laços. Eu costumava ser um navio sem porto que me prendesse, e você me ancorou no seu triângulos de bermudas tactel. Estou a espera de um pirata corajoso o suficiente pra encarar minhas barreiras e tire da sua dominação.
Eu estava lá quando você pegou a curva mais fácil da rodovia e me fez te perder de vista. Eu vi você indo pro caminho que parecia mais agradável. Eu sofri durante meses, aguardando sua volta. As malas no chão, a poeira machucando meus olhos. A única água que aquele deserto conheceu foi a salgada. Então surgiu um pequeno oásis quando meu celular apitou. Era você, e aquele sorriso que eu já conheço tão bem. Fui correndo, me joguei outra vez de peito aberto. E era apenas miragem.
Mal me curei dos machucados antigos que você havia me proporcionado e já havia novas feridas em aberto. Você nunca me deixa cicatrizar. Rasga minha pele e leva meu coração sem dificuldades. Esquece em cima da sua mesa de cabeceira, e eu fico sem chão. Me devolve sentimentos surrados, que já não cabem mais em mim. Sou um todo que vira nada só de imaginar seu toque.
Num deserto de relações fragilizadas, eu encontrava em você a saída pra minha solidão. Descobri vazio, e meu grito sem resposta ecoando nessa imensidão. Agora vivo essa solidão paralela, vendo areia onde deveria ter sentimentos. Você acabou com as minhas esperanças e as enterrou sem mapa para o tesouro. Tem sido doloroso, mas vou saber sobreviver.